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Brasil

Professor brasileiro Domício Proença Filho recebe Honoris Causa na França

media O professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Domício Proença Filho, na Universidade de Clermont Auvergne, no centro da França. Daniella Franco/RFI

O professor emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Domício Proença Filho, recebeu nesta segunda-feira (10), o título Doutor Honoris Causa da Universidade Clermont Auvergne, no centro da França. A recompensa é a mais importante concedida por instituições de ensino supeior ao trabalho e  obra de personalidades que se destacam nas artes, ciências, filosofia, letras, mas também em causas humanitárias.

Daniella Franco, enviada especial da RFI a Clermont-Ferrand

Domício Proença Filho é professor e pesquisador de Literatura Brasileira e Língua Portuguesa. Além da UFF, trabalhou em diversas universidades brasileiras, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Também ministrou cursos em estabelecimentos de ensino superior fora do Brasil, como na Universidade de Colônia e na Escola Técnica de Altos Estudos de Aachen, na Alemanha.

Além da carreira acadêmica, também é poeta e escritor, com 68 livros publicados. Um deles, “Capitu: memórias póstumas”, em que conta a história de “Dom Casmurro” do ponto de vista da personagem Capitu, foi traduzido para o francês. É membro da Academia Brasileira de Letras, da qual foi presidente (2016-2017), da Academia Brasileira de Filologia e da Academia das Ciências de Lisboa.

“É um sentimento de gratificação. É o coroamento de uma carreira que você vê reconhecida. Sobretudo porque a carreira do professor e do escritor tem poucas oportunidades de ter esse tipo de manifestação. Vindo de uma universidade estrangeira - embora as nossas universidades nos valorizem, sim - é algo que ultrapassa seus próprios limites e isso nos surpreende. Você não pode imaginar que quando escreve um texto, ele possa ultrapassar as fronteiras do seu espaço de pertencimento”, diz Proença Filho, em entrevista à RFI.

Na cerimônia de entrega do Doutor Honoris Causa, no anfiteatro da Escola de Direito, Proença Filho foi apresentado pelo professor Saulo Neiva, diretor do Centro de Pesquisas sobre as Literaturas e a Sociopoética da Universidade Clermont Auvergne. Em seu discurso, Neiva evocou memórias de sua adolescência, na época em que era estudante secundarista no Recife (PE) e quando conheceu uma das obras mais célebres de Proença Filho, “Estilos de Época na Literatura”.

“Para mim é uma grande emoção fazer com que a instituição reconheça tanto a obra de Domício Proença Filho e o trabalho que ele vem fazendo ao longo de anos em torno da leitura do texto literário, da representação do negro e da presença dos autores negros na literatura brasileira, mas também a obra de ficção e a obra poética dele”, afirmou Neiva, em entrevista à RFI.

Segundo o professor, o título concedido a Proença Filho também fortalece as relações entre a Universidade de Clermont Auvergne e a Academia Brasileira de Letras.

“A nossa universidade foi a primeira na França a assinar um convênio de cooperação com a Academia Brasileira de Letras. Esse convênio proporcionou varias ações. Pudemos receber aqui autores que são membros da ABL, enviar pesquisadores ao Brasil, e realizar em parceria eventos científicos ou de valorização cultural” destaca.

Na mesma cerimônia, o professor François Crepeau, da Universidade de McGill, no Canadá, também recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Clermont-Ferrand. Advogado de formação, seu trabalho acadêmico se concentra no direito dos imigrantes.

O rito avaliza o mito

Questionado sobre as possíveis consequências para a área acadêmica da ausência do Ministério da Cultura no próximo governo, ou da repressão a professores, com projetos como o Escola Sem Partido, Proença Filho disse acreditar que o ensino superior está acima do histórico político do país. “A universidade sempre foi e permanecerá fiel a seus rituais. Eu sempre digo que o rito avaliza o mito”, ressalta.

O professor não vê nenhuma ameaça imediata ao setor da cultura e da educação. “Acho muito difícil que qualquer interferência atue em um ritmo que é incontrolável. Acredito que a dinâmica da cultura – e a literatura se insere neste espaço – vai prosseguir. Nos momentos mais duros do passado, onde houve cerceamento da liberdade de expressão, as obras continuaram a ser feitas. Esse processo não depende de um ordenamento e acho muito difícil reprimi-lo. A literatura sempre encontra um caminho”, salienta.

Neiva compartilha da mesma ideia, apesar de perceber a volta de discursos políticos que se baseiam na distorção do passado histórico, além de fazerem apologia à tortura, à discriminação racial e propagarem falsas notícias em prol de velhas ideologias.

“Eu tenho a impressão de que a literatura, a ficção, a poesia e os estudos literários tenham sido marginalizados em um mundo em que a educação técnica é cada vez mais importante. Esse fenômeno está relacionado com a emergência desses discursos políticos que considerávamos ultrapassados e a importância adquirida pelas fakes news.”

Entretanto, Neiva mantém um certo otimismo relação quanto ao futuro. “As pessoas vão pensar em novas maneiras de imobilizar essa imaginação narrativa e de fazer literatura de outra maneira. Acho que a situação de hoje é passageira, mas, como tudo na história, depende também de nós para que essa situação não nos condene. Eu tenho o otimismo daqueles que acham que é necessário lutar para impedir que a catástrofe se afirme e seja a única possibilidade”, conclui.  

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