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Em clima tenso no clã Bolsonaro, presidente eleito será diplomado no TSE

Em clima tenso no clã Bolsonaro, presidente eleito será diplomado no TSE
 
Presidente eleito Jair Bolsonaro e seu vice, general Hamilton Mourão, serão diplomados no TSE. Alessandro Dantas

Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão serão diplomados nesta segunda-feira (10), às 16h00, pelo horário de Brasília, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso significa que a justiça reconhece que eles cumpriram as exigências - tiveram voto nas ruas, as contas aprovadas, apresentaram todos os documentos – e, assim estão aptos a assumir, em 1° de janeiro, os cargos de presidente e vice do Brasil.

Para a cerimônia são esperadas 700 pessoas com discursos de Bolsonaro e Rosa Weber, a presidente do TSE. O evento se dará num momento em que o militar voltou a fazer críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Durante a campanha ele e seus apoiadores criticaram muito a urna eletrônica, apesar de todo o esforço das autoridades do TSE e do Supremo Tribunal Federal em dizer que o sistema é seguro.

Em vídeo conferência na Cúpula Conservadora das Américas, que o PSL organizou no fim de semana reunindo políticos da direita do continente, Bolsonaro falou em enviar para o Congresso um projeto para mudar o atual modelo. E disse que a justificativa é aperfeiçoar as regras diante do risco de a esquerda voltar ao poder.

“Nós sabemos das armas que eles usam para atingir o objetivo deles. Pretendemos mudar isso aprovando em seis meses um projeto. Não é porque ganhos agora que devemos confiar nesse modelo. Vamos aperfeiçoá-lo”, afirmou Bolsonaro, que não detalhou que proposta seria essa.

O Congresso já aprovou a obrigatoriedade do voto impresso, numa mescla da urna eletrônica com a impressão do voto, em caso da necessidade de recontagem. Mas na época a presidente Dilma Rousseff vetou. O Congresso derrubou o veto porque queria garantir a impressão. Porém o caso foi parar no STF e a corte acabou afastando de vez o retorno do voto de papel.

Diplomação em clima tenso

A cerimônia no TSE ocorre em um momento delicado, o mais tenso até aqui para clã Bolsonaro desde a vitória nas urnas.

O principal motivo é a identificação pelo COAF - órgão que ajuda no rastreamento de dinheiro visando o combate a crimes - de movimentação financeira atípica de um ex-motorista do gabinete de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito.

O valor de R$1,2 milhão de reais foi movimentado num intervalo de um ano por esse ex-servidor, entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano. Oito funcionários também do gabinete de Flávio fizeram depósitos na conta do motorista, que é ex-policial militar e amigo de Bolsonaro. O COAF identificou ainda repasse de R$ 24 mil desse funcionário para a conta da primeira dama Michele Bolsonaro.

Uma das filhas do servidor foi contratada pelo gabinete de Jair Bolsonaro em Brasília após ser exonerada pelo filho na Assembleia estadual.

O episódio deu munição para opositores do militar que lembraram o discurso de combate à corrupção levantado por Bolsonaro na campanha. “Se fosse o PT, já teria havido busca e apreensão na casa desse motorista, já estariam negociando delação premiada. Observem que nunca foi detectado depósito na conta de Lula nem de dona Marisa. A família Bolsonaro deve explicações ao país”, afirmou Gleisi Hoffmann, presidente do PT.

O presidente eleito diz que ele ajudou o ex-motorista num momento em que o amigo estava precisando de dinheiro e que esse empréstimo foi pago em dez parcelas de R$ 4 mil. “Só foi depositado na conta da minha mulher por praticidade, porque eu não mexo, não tenho tempo para lidar com banco”.

Perguntado por que ele não declarou essa movimentação, Bolsonaro disse que, se ele errou, vai admitir e se retratar com a Receita Federal. Sobre o registro de saques a cada dois dias pelo ex-motorista, afirmou que “isso ele terá que explicar. O COAF identifica indícios, não há crime comprovado. Vários contribuintes estão na malha fina, mas não significa que são sonegadores”, afirmou o presidente eleito.

Esses dados vieram à tona numa investigação sobre fraudes envolvendo a Assembleia Estadual do Rio de Janeiro.

Crise PSL

O momento político ao redor de Bolsonaro também é tenso por causa da crise interna deflagrada no PSL, o partido dele. Foram troca de farpas bem pesadas no grupo de WhatsApp de parlamentares eleitos pelo partido. As conversas vazaram para a imprensa, elevando o clima no partido.

No centro dessa discussão, a jornalista Joice Hasselmann, que ocupará uma vaga na Câmara Federal por São Paulo e que pretende ser a líder do partido ou do governo. Ela entrou num embate com Major Olímpio, eleito senador pelo mesmo estado. Joice disse que Olímpio cresceu às sombras de Bolsonaro e tem apoio de uma ‘patota’. Ele afirmou que a colega ‘passa por cima dos outros’ e ‘não é fiel’.

Mais forte ainda foi a briga dela com o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, atual líder do PSL. Joice escreveu no grupo que a coordenação política da sigla está ‘abaixo da linha da miséria’. Eduardo afirmou que ela é ‘sonsa e tem fama de louca’. Ela rebateu dizendo que ele é ‘infantil’ e deveria se colocar em seu ‘devido lugar’.

Nessa “troca de gentilezas”, Eduardo escreveu que as articulações que ele tem feito não vão para mídia porque, do contrário, o presidente da Câmara Rodrigo Maia aceleraria as pautas bombas, que ampliam o rombo nas contas, revelando a disputa de bastidor pela presidência da Casa e pelo poder no partido do presidente eleito.

Legendas de direita, centro e esquerda tentam criar na Câmara um super bloco para isolar o PSL e o PT. Eles querem todos os cargos da Mesa Diretora e o comando das principais comissões.

 


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