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Brasil

Decisão de anular COP25 no Brasil é vista como sinal de retrocesso

media A COP visa negociar um enfrentamento pacífico do aquecimento global e de seus impactos para o planeta iStock/leolintang

A decisão do governo brasileiro de não acolher a próxima cúpula mundial do clima (COP25) em 2019, foi bastante criticada pela imprensa internacional e pelas organizações ambientalistas. Para as ONGs, ao desistir de sediar o evento, o Brasil envia sinais negativos sobre a política ambiental que o país pretende adotar nos próximos anos.

Segundo o governo, a reunião da ONU não será organizada como previsto no Brasil em razão das “atuais restrições fiscais e orçamentárias, que deverão permanecer no futuro próximo, e o processo de transição para a recém-eleita administração, a ser iniciada em 1º de janeiro de 2019”, explicou a chancelaria brasileira em nota.

O Brasil era o único candidato para sediar a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP. O evento anual reúne diplomatas, líderes políticos e representantes da sociedade civil do mundo inteiro para negociar um enfrentamento pacífico do aquecimento global e de seus impactos para o planeta e para as pessoas.

A decisão ganhou repercussão na imprensa internacional. O canal de televisão francês France 24 (do mesmo grupo da RFI), afirma que “Bolsonaro já está impondo sua vontade”, enquanto o jornal Le Monde diz que a notícia representa um “sinal negativo” e que “o programa do presidente eleito já preocupa os defensores do meio ambiente".

Já para o jornal britânico The Guardian, trata-se de “um golpe nos esforços globais para evitar níveis perigosos de aquecimento do planeta”, e lembra que o Brasil, que abriga a Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, sempre foi “um participante importante nas negociações climáticas internacionais”.

Lamentável, mas previsível

“É lamentável, mas não surpreende”, reagiu imediatamente organização ambientalista Observatório do Clima. Para a entidade, “a reviravolta provavelmente se deve à oposição do governo eleito, que já declarou guerra ao desenvolvimento sustentável em mais de uma ocasião. Não é a primeira e certamente não será a última notícia ruim de Jair Bolsonaro para essa área”.

“Voltar atrás na decisão de sediar a COP não é apenas uma perda de oportunidade de afirmar o Brasil como uma importante liderança na questão do clima”, reagiu o Greenpeace, que vê na decisão uma influência do presidente eleito, Jair Bolsonaro. “O gesto é uma clara demonstração da visão de política ambiental defendida pelo novo presidente, que revela ao mundo o que já havia dito aos brasileiros durante a campanha eleitoral; em seu governo, o meio ambiente não é bem-vindo”, afirma Fabiana Alves, especialista da campanha de clima da ONG.

Segundo ela, ao se afastar do debate ambiental, as autoridades brasileiras “viram as costas aos mais pobres, que sentirão primeiro os efeitos de um planeta mais quente e com consequências sérias, como escassez de água e dificuldades na produção de alimentos".

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