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Brasil

Em editorial, Libération alerta para os perigos do projeto Escola Sem Partido no Brasil

media O jornal Libération dedica seu editorial ao projeto Escola "Sem Partido" no Brasil. Reprodução Liberation.fr

O jornal Libération desta segunda-feira (19) dedica seu editorial ao projeto Escola Sem Partido, uma das principais bandeiras para a educação do presidente eleito Jair Bolsonaro. "Brasil: quando eu ouço a palavra cultura" é o título do texto assinado pelo editor-chefe do diário.

No editorial, Joffrin escreve que a Câmara dos Deputados vai voltar a examinar o projeto de lei que prevê a neutralidade do ensino e o fim da chamada "doutrinação ideológica" nas escolas brasileiras.

O objetivo é erradicar o marxismo que, "infesta o corpo dos professores", e a teoria do gênero, "que a escola estaria tentando impregnar na cabeça dos jovens alunos do país", ironiza Libé. Mas o projeto de lei vai muito além disso, adverte o jornal.

Tem como meta, por exemplo, restabelecer a verdade sobre a história da ditadura militar que governou o Brasil a partir de 1964, para "apagar os aspectos negativos e celebrar os benefícios de um regime que garantia a ordem e defendia a tradição", destaca. Outras lideranças do Escola Sem Partido anunciam sua vontade de introduzir nos programas de ensino o criacionismo, que defende que o mundo foi feito por Deus e que vai de encontro ao darwinismo e à teoria da evolução das espécies.

Outros ainda exigem que as Ciências Sociais e a Filosofia passem a ser matérias opcionais. Como se não bastasse, diz o editorial, o projeto de lei ainda prevê punir professores considerados culpados de dogmatismo ou proselitismo e diz que os pais têm direito de escolher a educação que os filhos recebem em relação à moral e as convicções dentro dos lares.

Caça às bruxas

"Muitos garantem que o projeto, se fosse aprovado, seria rejeitado pelos juízes do país pela não-conformidade com a Constituição", afirma o texto. No entanto, Joffrin escreve que muitos professores temem que essas orientações sejam sobretudo o sinal de uma "caça às bruxas" lançada pelo novo governo para eliminar aqueles que "pensam errado", ou seja, que estão em conformidade com as Ciências, a Filosofia e os direitos humanos.

"Os militantes do Escola Sem Partido já pedem que os alunos em desacordo com seus professores não hesitem em filmá-los durante as aulas" para denunciá-los, reitera Libération. Uma atitude defendida por Bolsonaro que declarou que os professores deveriam ficar orgulhosos de serem gravados enquanto trabalham.

Prova da inflexibilidade dos defensores do projeto é o comportamento do deputado Eder Mauro, durante reunião, na semana passada, da comissão especial da Câmara que discute o projeto. Pressionado por manifestantes que pediam respeito aos professores, Mauro exigiu que eles se calassem e fazendo gestos com as mãos em forma de armas, simulou o fuzilamento dos opositores.

Gafe?, pergunta Libé. "Parece que não: o gesto imitando um revólver foi um dos símbolos do candidato Bolsonaro durante sua campanha", conclui o editorial do jornal.

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