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Brasil

Le Monde: popularidade de Bolsonaro lembra facismo do período entre guerras na Europa

media Eleitor exibe cartaz com o rosto do candidato do PSL à presidência, Jair Bolsonaro, em 21 de outubro de 2018 REUTERS/Sergio Moraes

O jornal Le Monde desta quinta-feira (25) traz um artigo assinado por duas historiadoras francesas, especialistas em Brasil. "Diante de um retorno do fascimo, a neutralidade não seria uma escolha" é a manchete da publicação, que defende que a popularidade do candidato da extrema direita à presidência, Jair Bolsonaro, lembra a dinâmica eleitoral dos períodos entre guerras.

No artigo, Juliette Dumont, professora do Instituto de Altos Estudos da América Latina (Iheal), da Universidade Sorbonne Nouvelle, e Anaïs Fléchet, professora da Universidade de Versalhes, descrevem o clima de violência que invadiu o Brasil, motivado pelos agressivos discursos de Jair Bolsonaro. Enquanto o candidato do PSL promete fazer "uma limpeza" de toda a oposição, "nas ruas do país, suásticas e ameaças de morte cobrem os muros, enquanto multiplicam-se agressões físicas contra militantes da esquerda, afro-brasileiros e membros da comunidade LGBTQ", escrevem as historiadoras.

Segundo Dumont e Fléchet, "desde a Segunda Guerra Mundial, raras foram as forças políticas exaltando tão intensivamente valores e práticas do fascismo, com o objetivo de se impor nas urnas em uma democracia ocidental". Para as historiadoras, o fenômeno não acontece por acaso. Elas explicam que Bolsonaro é originário de uma facção extremista militar que, durante a ditadura, defendia a repressão política e a tortura. Seu discurso de "purificação nacional" evoca o projeto de submeter as minorias à vontade das maiorias, prometendo terminar com toda forma de militantismo. "Não são apenas derrapagens, mas a expressão de um dogma articulado com uma concepção belicosa da política, na qual adversários eleitorais são ameaçados de serem 'fuzilados'", ressalta o artigo.

As historiadoras também explicam como, em 2018, esse discurso pode seduzir a maioria da opinião pública brasileira, com o apoio das elites. Embora sejam diversas, dizem elas, as razões não estão longe da origem do fascismo europeu. Crise econômica, política, moral, aliadas ao aumento do ódio atiçado pelas mídias, enumeram Dumont e Fléchet. Além do bombardeio de fake news nas redes sociais - que começam a afetar até mesmo o conceito de verdade - e um envenenamento da esquerda, associada ao comunismo, à criminalidade e à perversão moral. "No pico desta torre de mentiras, se implanta o culto da personalidade, do 'mito' Bolsonaro, um homem de bem que promete varrer o Brasil em ruínas para reconstruir um novo mundo", publicam as pesquisadoras.

Entretanto, Dumont e Fléchet lembram que o próprio candidato do PSL está envolvido em diversos casos de enriquecimento ilícito e desvio de fundos públicos. Sem contar a suspeita de caixa 2 em sua campanha, depois do escândalo de financiamento ilegal de um sistema de envio massivo de mensagens de WhastApp, revelado na semana passada pela Folha de S. Paulo e as ameaças da família Bolsonaro à Justiça brasileira. "Diante do retorno do fascismo, a neutralidade não seria uma escolha: o candidato do PT, Fernando Haddad, pela democracia", concluem as historiadoras em coluna publicada pelo jornal Le Monde.

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