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Brasil

Denúncia de propaganda ilegal de Bolsonaro no WhatsApp pode constituir crime eleitoral, diz imprensa europeia

media Jair Bolsonaro é acusado de estar por trás de esquema de disparo em massa no WhatsApp contra o PT CARL DE SOUZA / AFP

Toda a imprensa europeia repercute nesta sexta-feira (19) as acusações contra o candidato do PSL à presidência, Jair Bolsonaro, de fraude em sua campanha. O pesselista é suspeito de estar por trás de um imenso esquema de disparo em massa de mensagens contra o PT no aplicativo WhatsApp - sistema que teria contado com a doação ilegal de empresas, prática que é proibida pela legislação eleitoral brasileira.

Na França, vários sites de notícias destacam as acusações do candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, contra seu rival, depois da publicação, na quinta-feira (18), de uma reportagem no jornal Folha de S. Paulo. Segundo o diário, empresários estariam bancando a campanha de Bolsonaro pelo WhatsApp, com doações não declaradas e contratos de até R$ 12 milhões.

"Se essa prática for comprovada, ela constitui um crime", diz o site da revista francesa L'Express, ressaltando que a lei eleitoral, no Brasil, proíbe o financiamento de campanha por empresas. O site do jornal 20 Minutes indica que o esquema do PSL, baseado em "dinheiro sujo" - diz - serviria para orquestrar um bombardeio de mensagens e falsas informações através do WhatsApp.

O jornal Libération destaca que Bolsonaro negou a acusação no Twitter, ontem, enquanto sua equipe confirmou que o ex-capitão da reserva não vai participar de nenhum debate na televisão contra Haddad antes do segundo turno das eleições.

"Uma investigação aponta para uma grande trama de propaganda ilegal a favor de Bolsonaro por WhatsApp", é a manchete em destaque no site do jornal espanhol El País. O diário explica em detalhes como funcionam esses disparos de mensagens através do aplicativo e afirma que se infiltrou em um desses grupos para confirmar que este tipo de ação vem acontecendo. A reportagem do jornal contou mais de mil mensagens diárias, "geralmente com conspirações fictícias e acusações falsas", um esquema que, afirma El País, "afeta milhões de pessoas".

Empresário teria coagido funcionários para apoiar Bolsonaro

O jornal português Público destaca que, entre as empresas sob suspeita de participar do esquema, está a catarinense Havan. O diário salienta que Luciano Hang, proprietário desta companhia do setor varejista "é um conhecido apoiador de Bolsonaro, tendo sido filmado coagindo seus funcionários para votarem no candidato da extrema direita".

Para o jornal britânico The Guardian, essas eleições, consideradas como as mais importantes da história do Brasil, preocupam porque "estão sendo baseadas em fake news, a maioria delas favorecendo Bolsonaro". O diário ressalta que o problema é tão grave que autores de um relatório sobre as consequências da manipulação dos eleitores acionaram a direção do WhatsApp para pedir que a empresa "dê passos urgentes para reduzir o envenenamento da campanha com notícias falsas ou distorcidas".

 

 

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