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Brasil

Marine Le Pen: "Bolsonaro diz coisas desagradáveis, intransponíveis na França"

media No canal de televisão France 2, a líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, foi interrogada nesta manhã sobre sua visão do candidato Jair Bolsonaro. REUTERS/Max Rossi

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, foi convidada a opinar nesta quinta-feira (11) sobre o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL). Ela foi entrevistada no programa "4 Verdades", do canal France 2. Com habilidade, Marine tomou distância do discurso tosco e discriminatório do militar.

Questionada pela apresentadora Caroline Roux se desejava a vitória de Bolsonaro, Marine Le Pen disse que essa decisão cabia ao povo brasileiro e que ela respeitava a soberania dos povos. O tom evasivo da primeira resposta dominou os minutos seguintes da entrevista.

Sobre o sucesso de Bolsonaro no primeiro turno, Marine atribuiu ao fato dele ter baseado sua campanha no tema da segurança e contra a corrupção. Ela citou dados da criminalidade no Brasil, evocando os 60 mil homicídios por ano no país, contra 700 casos na França, e atribuiu a votação expressiva em Bolsonaro a uma "reação" da população brasileira a esse ambiente de insegurança.

"É uma criminalidade endêmica que atinge a liberdade dos brasileiros e, diante da tolerância do governo anterior, os brasileiros lançaram o alerta de que a segurança é uma prioridade para eles", disse Marine.

Questionada sobre os excessos de Bolsonaro quando o candidato diz que preferia ver seus filhos mortos em vez de homossexuais e que mulheres grávidas são um fardo para empresas, Marine afirmou: "Não vejo o senhor Bolsonaro como um candidato de extrema direita, ele diz coisas extremamente desagradáveis que são intransponíveis na França, são culturas diferentes", ressaltou. Marine aproveitou este momento da entrevista para reforçar a distância em relação ao candidato do PSL: "Desde que um candidato fala coisas desagradáveis, na França ele é catalogado de extrema direita".

Marine Le Pen está em campanha para as eleições do Parlamento Europeu marcadas para maio de 2019. Ela lançou no dia 8 de outubro uma agenda de ações de seu partido, Agrupamento Nacional (RN), ao lado do ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, número dois do atual governo populista italiano.

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