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Brasil

“Bolsonaro é pior que Trump”: Le Monde explica eleição do Brasil a franceses

media O candidato Jair Bolsonaro (PSL) segura um boneco de si mesmo em Curitiba, em 29 de março de 2018. REUTERS/Rodolfo Buhrer/File photo

“O primeiro turno da eleição presidencial no Brasil abalou totalmente as regras do jogo", diz a chamada do jornal francês Le Monde para um chat online com sua correspondente no Brasil, Claire Gatinois. Ela teve a dura missão de explicar aos franceses, nesta segunda-feira (8), a complexidade e os desafios da eleição brasileira, marcada pela presença das redes sociais e de manifestações nem sempre republicanas.

“Misógino, racista e homofóbico, Jair Bolsonaro conseguiu 46% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais, aproveitando a crise moral e política do país”, anuncia Le Monde, antes de dar início ao chat com os leitores franceses. “Bolsonaro se apresenta como o Trump tropical”, diz um dos internautas. “Isso é verdade? Ou é pior?”, pergunta. Claire Gatinois responde que sim, “é efetivamente pior”. “E ele tem um discurso desrespeitoso com as instituições, notável na maneira como questiona pesquisas de opinião e o resultado das urnas”, explica a jornalista.

“Qual a importância das redes sociais [nas eleições brasileiras]?”, quer saber um outro. “Enorme!”, diz Gatinois. “Essa eleição mudou completamente as regras do jogo no Brasil. Até agora tudo era decidido principalmente via televisão. Geraldo Alckmin, que teve o maior tempo, era considerado favorito. Bolsonaro tinha 4,8% dos votos! Muita propaganda foi feita via redes sociais, facebook e principalmente o whatsapp, aplicativo muito utilizado na América Latina”, detalha a jornalista francesa.

Fake News

Gatinois explica ainda que a agressão à faca, sofrida pelo candidato do PSL, que o impediu de participar de debates televisivos, teria acentuado a campanha nas redes sociais e a “corrente de fake news que o TSE foi incapaz de controlar”. Uma internauta francesa, que quer mais informações sobre “a sociologia dos eleitores brasileiros”, pergunta a proporção de mulheres que votaram Bolsonaro e quais seriam “as margens de progressão” de sua candidatura no segundo turno. A correspondente explica que não existem ainda detalhes precisos sobre os eleitores, mas que o Sul e o Sudeste votaram massivamente por Bolsonaro, enquanto o Nordeste votou “à esquerda”. “Jair Bolsonaro seduz os evangélicos mais do que o PT”, explica.

Um dos leitores afirma que, ao ler reportagens sobre o Brasil, tem a impressão de que, para uma boa parte da população brasileira, o período da ditadura foi esquecido. “Como é possível?”, questiona.  “A ditadura é vista por alguns dos brasileiros como um período de prosperidade econômica”, detalha a correspondente. “O regime militar seguiu uma política de grandes obras  - desastrosas, aliás, para o meio ambiente -, acompanhada de um boom econômico. Para aqueles que não estavam na resistência, a ditadura militar também foi idealizada como um tempo onde reinou a ordem”, resume Gatinois. “Existe também essa ideia completamente falsa de que a corrupção não existia durante a ditadura”, lembra a jornalista.

“É certo que Jair Bolsonaro ganhe este eleição?”, quer saber um dos leitores. “Seria necessário um milagre para que Fernando Haddad vire o jogo”, avalia Le Monde. A jornalista francesa lembra que, desde a redemocratização do Brasil em 1989, nunca um candidato que esteve na frente no primeiro turno perdeu a eleição.

“Mas, então, quais são as propostas concretas de Bolsonaro? Ele vai conseguir colocá-las em prática?”, pergunta uma internauta. “É tudo muito vago”, responde Gatinois. “Ele fala sobre restaurar valores de Deus, mas não explica como vai fazer isso. Seu discurso é centrado na segurança. Ele quer anistiar crimes de policiais e pôr fim à revisão de pena de detentos, uma medida polêmica e problemática porque o Brasil sofre com uma superlotação carcerária estimada em 197%”, diz Gatinois.

“Seria correto dizer que Bolsonaro é de extrema direita?”, pergunta um francês. “Sim, ele não é apenas conservador, ele é conhecido por suas alusões racistas, homofóbicas e misóginas. Numa entrevista à TV Globo, ele falou do golpe de Estado de 1964 como uma ‘revolução democrática’“, analisa a jornalista.

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