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Tereza Ventura mudou-se há um ano para a Alemanha para investigar o ativismo pós-colonial

Tereza Ventura mudou-se há um ano para a Alemanha para investigar o ativismo pós-colonial
 
A professora da Uerj Tereza Ventura faz pesquisa na Alemanha sobre ativismo pós-colonial Arquivo Pessoal

Professora de Ciências Sociais da UERJ, a carioca Tereza Ventura investiga há um ano, na Alemanha, o ativismo pós-colonial – tema em alta no país, que sofre pressão para prestar contas do primeiro genocídio do século passado, executado por tropas alemãs na região onde hoje fica a Namíbia. 

Por Cristiane Ramalho, correspondente da Rádio França Internacional em Berlim

Neste domingo (9), Tereza volta ao Brasil para retomar as aulas na UERJ e avançar na pesquisa, que pretende publicar no ano que vem. A ideia é traçar paralelos entre os impactos do período colonial sobre as etnias dos Hereros e Namas, que sofreram com o massacre alemão na Namíbia, e os quilombolas.

Apesar de separadas pelo Atlântico, as duas populações têm muito em comum. Ambas resistiram à dominação europeia e ainda lutam para regularizar seu acesso à terra, vivendo às margens das políticas sociais.
 
“Na Namíbia, eles estão em áreas de favela, sem escolas, sem hospitais, sem água potável. No Brasil, não é muito diferente: 76% dos quilombolas vivem numa situação de pobreza crônica. O que aponta para uma agenda transnacional nessa luta pós-colonial”, diz a professora.

Serviço público zero

No topo dessa agenda, está a disputa pelas terras. Na Namíbia, elas foram expropriadas pelos alemães, que continuam lá até hoje. Já as populações que restaram “vivem em reservas, sem serviço público nenhum.”

Para os remanescentes dos que lutaram contra a escravidão, o acesso à terra também é fundamental: “O direito dos quilombolas está prescrito na Constituição. Mas ainda é muito limitado na prática”.

Segundo Tereza, das mais de 3 mil comunidades quilombolas, apenas 156 têm o título da terra. O problema não para por aí. Muitos sequer conseguem o benefício de políticas públicas como o programa Bolsa Família, já que não têm como comprovar que os filhos estão matriculados na escola e com as vacinas em dia.

“Se a escola está distante mais de 50 quilômetros, não há médico nas imediações e falta transporte público, como eles podem obter esse benefício?”, pergunta a professora.

Black Europe

Na Alemanha, Tereza teve contato com acadêmicos e ativistas ligados ao tema da Namíbia. E pôde perceber como a questão da herança pós-colonial ganha cada vez mais fôlego no continente. Inclusive, com linhas de pesquisa como a Black Europe (Europa Negra), que investiga o impacto do processo colonial sobre a Europa.

“Eu diria que a Black Europe pode ser enquadrada num círculo de pesquisas acadêmicas voltadas para trabalhar o legado, e fazer uma revisão histórica, do processo colonial. Não se pode esquecer que a própria Europa é um ponto de encontro intercultural, com uma circulação de povos desde a expansão colonial”, diz Tereza.

A pesquisadora lembra que há “gerações de europeus de pele negra sem qualquer relação com a África” - é o que eles chamam de afropeans – fusão de African (africano) e European (europeu). “A Black Europe quer traduzir isso em pesquisas para reformar essa visão de uma Europa branca, anterior ao século 15, que hoje não passa de uma fantasia.”

Uma ilusão que continua presente em países como a Alemanha, onde o populismo e a ultradireita vem insuflando cada vez mais a xenofobia contra imigrantes e refugiados. “Esse debate é importante para mostrar o que foi essa política racial que os extremistas querem trazer de volta”.

Mas existe também, segundo a pesquisadora, um ativismo intenso de muitos alemães que têm interesse em rever a própria história. “Eles não querem uma Europa que se fecha numa ficção existencial, como aconteceu em Chemnitz, onde as pessoas lutam por um Apartheid social, uma realidade que não existe. Um viés talvez eticamente semelhante ao que provocou o Holocausto”.

Poluição no Brasil, empregos na Europa

A pesquisadora lembra que a agenda do ativismo pós-colonial costuma reservar papel de destaque para a economia globalizada e seus avanços “em relação aos recursos naturais do Sul Global”.

Como exemplo, ela cita a exploração do eucalipto no Brasil. “Prejudica-se essas comunidades locais e o meio ambiente, enquanto as fábricas de papel operam na Europa sem impacto ambiental e ainda gerando emprego”, diz a professora, que publicou em julho um extenso artigo sobre o tema numa revista acadêmica alemã.

Depois de um ano vivendo entre Berlim e Oldenburgo, Tereza, de 52 anos, retoma as aulas na UERJ nesta terça (11). E apesar da crise que ronda a instituição, está animada: “A UERJ foi a primeira universidade do Brasil a instituir uma política afirmativa étnica e racial. Vai ser um novo desafio trabalhar nessa fronteira com as ciências sociais africanas, européias e brasileiras”.

O Quilombo do Barranco de São Benedito, segundo quilombo urbano do Brasil AFP PHOTO/ Raphael Alves

 

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