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“Sem forte ajuste fiscal e reforma da Previdência, próximo presidente não terminará seu mandato”, afirma economista Octavio de Barros

“Sem forte ajuste fiscal e reforma da Previdência, próximo presidente não terminará seu mandato”, afirma economista Octavio de Barros
 
Os cinco principais candidatos as eleições presidenciais: Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad, Marina Silva e Ciro Gomes. Fotomontagem RFI/ Reuteurs

A economia brasileira tem sofrido em meio a um cenário eleitoral volátil e pouco definido. A saída da crise econômica ainda parece patinar com o baixo crescimento e incertezas quanto aos rumos da política econômica do próximo governo. Os investidores estrangeiros tendem a ver esta situação com desconfiança, o que complica a retomada da economia.

Para Octavio de Barros, vice-presidente da Câmara de Comércio França-Brasil e diretor da think tank República do Amanhã, a questão fiscal é hoje a que mais gera insegurança para os investidores e se coloca como um ponto central que não poderá ser evitado pelo próximo presidente. "Eu queria chamar atenção de que é verdade que os investimentos estão retraídos no Brasil porque há falta de definição sobre o marco regulatório, sobre a própria questão fiscal que é muito dramática no Brasil. O próximo presidente, seja ele qual for, vai ser obrigado a fazer um fortíssimo ajuste fiscal, reforma da Previdência. Caso não faça isso, ele não termina o seu mandato", avalia.

Guilherme Gamba, que trabalha com trade de commodities em Paris, concorda que a questão fiscal está no centro das preocupações do mercado e avalia que há um movimento duplo que atinge o Brasil nesse momento: uma crise externa e incertezas internas. Ele considera que as situações econômicas complicadas da Argentina e da Turquia afetam o país e isso se torna ainda mais complexo de gerenciar quando não está claro o que o próximo ou a próxima presidente adotará como política econômica.

"O fato da insegurança eleitoral e, sobretudo, o que as lideranças vão gerar no cenário fiscal a partir de 2019, 2020. Acho que essa é a grande questão na cabeça do investidor hoje. O mercado está muito de olho em como os extremos estão se comportando. Eu acredito que o mercado não comprou, pelo menos a maior parte dele, a tese do Bolsonaro como liberal. Ainda tem muita dúvida em relação a isso, apesar do apoio do Paulo Guedes. Eu acho que o mercado também tem medo do PT ainda vendo um cenário de dominação dos economistas da era Dilma", ressalta.

Para Gamba, neste cenário é Geraldo Alckmin que se torna o candidato mais palatável para o mercado, que atrai os investidores com uma proposta de política fiscal contracionista, que geraria superávit no orçamento. Ele afirma que "o candidato do mercado hoje, se é que a gente pode falar disso, o candidato que geraria o cenário mais benigno em política fiscal do ponto de vista do investidor é obviamente o Alckmin. Eu acho que o mercado hoje está com o foco muito preciso em saber quanto Alckmin vai ganhar nas próximas pesquisas, nas próximas semanas, agora que a campanha começou de verdade. Agora que ele colocou o maquinário pra funcionar, vamos ver quanto ele consegue gerar de retorno em cima disso".

Mercado não confia em Bolsonaro

Assim como Gamba, Barros também avalia que a tentativa de apresentar o candidato Jair Bolsonaro como liberal não convence. Ele destaca que, apesar de os investidores normalmente não se manifestarem politicamente, o desconforto com esse candidato é perceptível. "Muito pelo contrário, ele é muito intervencionista e os investidores vêem com extremo desconforto. Mas há, ao mesmo tempo, uma leitura de que seria um candidato com muitíssimas dificuldades de ganhar as eleições em um eventual segundo turno", explica.

Apesar de o cenário eleitoral sempre gerar algum nível de insegurança, é preciso pensar de forma mais global na economia brasileira, avaliam os especialistas. Neste sentido, Barros destaca que apesar das incertezas, as perspectivas a médio e longo prazo pode ser consideradas melhores. Para ele, os investidores tendem a ter uma visão mais estrutural e menos sensível ao imediatismo.

"A visão do empresariado de uma forma geral é bastante construtiva a respeito do Brasil no médio e longo prazo. O Brasil, afinal de contas, é uma grande economia, um país bastante relevante no cenário global. Há obviamente um desconforto com esse momento de incerteza eleitoral e também com algum contágio da economia global sobre países emergentes como o Brasil", avalia ele.

Em pouco mais de um mês, com a divulgação dos resultados eleitorais, será possível avaliar de forma mais concreta que rumos a economia do país deve tomar.


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