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Brasil

Para analistas, primeiro debate dos presidenciáveis trouxe pouca novidade, mas é essencial para eleições

media Primeiro debate entre os candidatos à Presidência do Brasil em 2018. NELSON ALMEIDA / AFP

Aconteceu na noite desta quinta-feira (9), em São Paulo, o primeiro debate entre os candidatos à presidência do Brasil. A Band, emissora responsável pelo evento, convidou os nove candidatos cujos partidos têm pelo menos cinco parlamentares (deputados ou senadores), como determina a nova lei eleitoral, mas apenas oito deles estiveram presentes. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, não participou por estar preso desde abril em um processo contestado.

Durante aproximadamente três horas, os oito candidatos presentes debateram temas como saúde, violência e contas públicas. Segundo analistas, um clima morno dominou a conversa, que não teve grandes momentos de destaque. Para Vitor Marchetti, cientista político e professor do curso de políticas públicas da Universidade Federal do ABC, foi um debate sem grandes surpresas.

Para ele, um dos fatos importantes a ser registrado é a ausência do PT, que desde o processo de democratização brasileiro é um ator central nos debates eleitorais. Quanto aos candidatos presentes, Marchetti considera que a maioria deles buscou um diálogo com o eleitor moderado, marcando posições mais centristas. "A surpresa foi a posição do Cabo Daciolo que disputa com o Bolsonaro esse campo mais claramente à direita", avalia. A falta de aprofundamento das propostas de cada um dos candidatos é, para o cientista político, da própria natureza deste tipo de debate.

Já para Jamil Marques, professor e pesquisador em ciência política na Universidade Federal do Paraná, o debate é fundamental e as novidades devem ser avaliadas de acordo com cada público. Ele acredita que esse é um espaço importante para que as candidaturas se apresentem, sobretudo para aqueles eleitores que não acompanham o tema eleitoral em outros meios, como as redes sociais digitais. Além disso, no debate é possível ver a ação dos candidatos no "debate coletivo" onde também conta a postura com relação aos adversários.

Importância da televisão e o fenômeno da segunda tela

Marques avalia que os debates têm muita importância nas eleições inclusive porque se passam na televisão, que ainda tem uma importância central na realidade brasileira. Segundo ele, a televisão funciona como uma plataforma agregadora, que vai, inclusive, gerar repercussões. "Mesmo o público das redes sociais digitais também acaba acompanhando a transmissão televisiva. É o que a gente chama de segunda tela: enquanto você está assistindo na televisão, você fica comentando no Twitter, no Facebook, procurando saber da repercussão, compartilhando, discordando das pessoas, utilizando hashtag", destaca.

Segundo estudo realizado pelo professor Fábio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo, das 21h30 da quinta-feira às 2h00 desta sexta-feira (10) foram feitos 580 mil tweets com a hashtag #DebateBand. O grafo construído por ele (abaixo) mostra o campo chamado "progressista" em vermelho, rosa e lilás e o campo chamado "direita" em amarelo. No Twitter, o pesquisador avaliou que "o campo progressista dominou a conversa em torno da hashtag #DebateBand. Por vacilo, Bolsonaro não usou a hashtag. Mas o campo da direita marcou presença".

Grafo de retweets em torno da hashtag #DebateBand Labic/UFES

PT promove debate paralelo nas redes sociais

Com Lula impedido pela justiça de participar do debate da Band, o PT optou por realizar um debate paralelo transmitido ao vivo por seus canais nas mídias sociais. O candidato a vice-presidente na chapa do partido, Fernando Haddad, ocupou a bancada junto com Manuela D'Ávila, do PC do B, que assume a vaga de vice no caso da não homologação da candidatura de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral. Eles foram ainda acompanhados pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e pelo ex-presidente da Petrobrás e coordenador geral da campanha petista, José Sérgio Gabrielli.

O debate paralelo durou mais de duas horas e começou com a leitura de uma carta enviada pelo candidato. No documento, ele alega que sua exclusão do debate prejudica a discussão das propostas do candidato que aparece em primeiro lugar nas pesquisas. "A decisão de me excluir do debate entre os presidenciáveis, promovido pela Band, viola o direito do povo brasileiro e também dos outros candidatos de discutir as propostas da minha candidatura e até de me criticarem olhando na minha frente, e eu tendo o direito de responder. A candidatura que lidera as pesquisas é impedida de debater com as demais suas propostas e ideias defendidas por milhões de brasileiros", escreveu Lula.

Para Vitor Marchetti, o debate paralelo permitiu um maior aprofundamento das propostas do partido, mas ele avalia que "em termos de audiência e de alcance, ele é entendido como bom, mas muito distante da repercussão que teria se estivesse participando do debate televisivo. O que coloca a questão pro PT sobre se ele vai ficar fora do próximo". O professor Jamil Marques considera que foi uma estratégia "interessante e inteligente", mas que "praticamente só atinge aquele eleitorado já cativo do próprio partido. Na verdade, não é um debate, é uma exposição de ideias". Ele, assim como Marchetti, avalia que este tipo de ação de comunicação tem repercussão muito menor que o debate televisivo.

O próximo debate entre os presidenciáveis acontece no próximo dia 17 e será realizado pela emissora RedeTV!

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