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Procura-se vices para presidenciáveis brasileiros

Procura-se vices para presidenciáveis brasileiros
 
No Brasil, o período inicial das convenções partidárias pré-eleitorais começa amanhã e vai até o dia 5 de agosto. Fotomontagem RFI/ Fotos: Sergio

O prazo para as convenções partidárias começa na próxima sexta-feira e vai até o dia cinco de agosto. Mas quem tem candidato à presidência da República ainda está em busca de um bom nome para a vaga de vice, além de uma rede apoio para colocar a campanha na rua.

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Os partidos que não têm, estão analisando cenário a cenário para ver qual o barco mais vantajoso para navegar nessas eleições.

Mesmo quem está na dianteira tem dificuldades em fechar a chapa. Jair Bolsonaro lidera as pesquisas de intenção de voto no quadro sem Lula e viu duas tentativas fracassarem em menos de 24 horas. A equipe do candidato chegou a confirmar que o general Augusto Heleno, que trabalhou na missão de paz no Brasil no Haiti, era o nome escolhido. O próprio militar aposentado disse que não se furtaria ao papel, mas recuou horas depois. O PRP, partido dele, disse que já havia se comprometido com outras alianças nas disputas regionais.

Augusto Heleno era visto como um nome que poderia quebrar resistências das patentes superiores ao candidato Bolsonaro. O deputado major Olímpio, aliado do deputado do Rio, lamentou: "Fiquei muito triste porque era um grande nome, que agregaria muito a nossa campanha".

Bolsonaro já tinha desistido do acordo com o PR, que poderia lhe render 45 segundos de propaganda no rádio e na TV, uma preciosidade para o deputado que, só com seu partido, o PSL, tem apenas sete segundos de campanha. Mas as conversas não avançaram porque PSL e PR discordaram nas coligações para deputados do Rio e de SP. Se não houver acordo com outra sigla, uma solução interna pode ser a advogada Janaína Pascoal, uma das autoras do pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Muitas incertezas

O cientista político Ricardo Ismael, da PUC Rio, diz que isso reflete uma campanha cheia de dúvidas sobre a capacidade dos nomes apresentados de angariar votos: «Geraldo Alckmin está apostando na estrutura partidária e no tempo de rádio e TV. Mas ele não está certo disso, é apenas uma aposta. Em 1989 os dois candidatos que foram para o segundo turno, Lula e Collor, não tinham grande estrutura na época”.

A campanha no rádio e na TV começa só no fim de agosto. No caso do Bolsonaro, também há dúvidas se ele tem gás para chegar ao segundo turno. “Além disso, muitos acham que dificilmente ele tem força para vencer «diz o analista.

Segundo Ismael, na centro-esquerda há ainda o fator Lula, que traz incertezas sobre os nomes do PDT e da Rede: «O Ciro Gomes e a Marina Silva tentam crescer na ausência do Lula e do PT, para ver se conseguem se viabilizar como nomes da centro-esquerda. Mas dependendo do candidato do PT, com a estrutura do partido, a militância, isso pode dificultar também para Ciro e para Marina”.

Ciro, Alckmin e PT tentam apoio de partidos do blocão

Nas articulações por alianças, um grupo de cinco partidos tem poder considerável sobre a balança eleitoral. Eles não têm candidato próprio competitivo, mas dizem que juntos possuem mais de um terço do tempo de rádio e TV. São legendas que têm como principal objetivo fazer um grande número de deputados e senadores e, assim, manter a força política, garantir dinheiro do fundo partidário, ocupar cargos no futuro governo e protagonizar as discussões no legislativo.

Nesse grupo está o PR, que tem um nome cobiçado a vice, o de Josué Gomes, filho do ex-vice presidente de Lula, José  Alencar. O partido negocia principalmente com o PT e com PDT, de Ciro Gomes. Mas também não descarta o tucano Geraldo Alckmin, que ontem conseguiu apoio do PTB.

Declaração do ex-governador de São Paulo nessa quarta-feira ilustra como o empresário tem sido desejado no meio político: ”Josué é uma pessoa por quem tenho grande estima, até tinha mais por seu pai, o José Alencar. Até estou passando de Alckmin para ‘Alckmín’ porque uma vez fui com minha mulher visitar o Alencar no hospital e ele me disse: doutor Geraldo, não é Alckmin e sim ‘Alckmín’, porque em Minas Gerais palavra oxítona não ganha eleição. Tem que ser paroxítona”.

Nesse grupo há também o PRB, mais ligado a Geraldo Alckmin, cujo pré-candidato Flávio Rocha, dono da rede Riachuelo, desistiu da disputa; o Solidariedade, mais próximo de Ciro Gomes; além de progressistas e democratas, divididos entre Alckmin e Ciro. O grupo diz que vai tentar decidir junto o apoio nessas eleições, se conseguir superar diferenças.

Ciro Gomes minimizou a colcha de alianças que tem buscado, inclusive partidos mais à direita ou envolvidos em denúncias. Diz que é preciso pensar no futuro: «Com minhas unhas, com meu charme, minha delicadeza eu estou conversando com PR, PRB, Democratas, Progressistas, Solidariedade, PSB, PCdoB. Isso dá um amplo arco de centro-esquerda que permite a um presidente chegar com certa força, antecipando conflitos o mais rápido possível”.

E nessa disputa por apoio, PT e PSDB, que protagonizaram as últimas eleições disputando o segundo turno, têm em certa medida se ajudado, ao atuarem para minguar apoio a Ciro Gomes. O PSB, por exemplo, tem sofrido pressão das duas legendas, mas ainda é forte no partido a posição dos que querem aliança com Ciro.


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