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"Em tempos de email, só as cartas conseguem produzir uma eternidade nas pessoas", diz escritor Rodrigo Dias

 
O escritor Rodrigo Dias de passagem pelos estúdios da RFI em Paris. RFI

Em tempos de email e aplicativos de conversas como Whatsapp, Messenger e Telegram, ele lança um livro dedicado a um dos gêneros mais antigos, peculiares e ricos da arte de escrever - a literatura epistolar. O RFI Convida Rodrigo Dias, autor de "Cartas para Irene em tempos de email". 

Grandes autores navegaram neste gênero literário, a literatura epistolar, como Carlos Drummond de Andrade, José Saramago, Jorge Amado, Clarice Lispector e, na França, Antonín Artaud. O autor brasileiro Rodrigo Dias conta que se inspira nestes modelos, mas que sua principal referência para a criação de "Cartas para Irene", seu terceiro livro, foi sua própria família.

"Parto do princípio que essas minhas cartas, essa experiência epistolar, tudo nasceu do meu convívio familiar. Venho de uma cidade pequena no sul da Bahia e o único meio de comunicação que nós tínhamos, e eu venho de família pobre, eram as cartas", explica o autor. 

"As cartas não nasceram apenas como estudo acadêmico, mas da necessidade e da vontade de se comunicar com as pessoas", continua. Entre religiosidade e literatura, Rodrigo, que estudou Teologia e Hermenêutica Bíblica, resolve a equação - literatura epistolar vem do latim epistoláris, que quer dizer carta, epístola. "As cartas do apóstolo Paulo serviram, sem dúvida, para expandir o Cristianismo para o mundo. Além da espiritualidade, havia também o sentimento. O cineasta brasileiro Walter Salles disse que existem coisas que só podem ser ditas por cartas. Paulo sabiamente utilizou este método para falar da Revelação na qual acreditava", pontua o escritor.

Email, whatsapp e Sagrada Escritura

"Em tempos de email, de whatsapp, de instantaneidade, só as cartas conseguem produzir nas pessoas uma eternidade", diz Rodrigo Dias. "As pessoas me dizem que acham interessante resgatar a possibilidade das cartas. A carta guarda a alma das pessoas, é por isso que a gente guarda as cartas, os cartões das pessoas queridas", diz. "Paulo conseguiu com suas cartas não só tocar a vida das pessoas, durante o anúncio do Evangelho, mas também tocá-las do ponto de vista literário, porque as pessoas guardaram esses extratos que se encontram até hoje na Sagrada Escritura", completa Dias.

O autor, baiano, se diz também influenciado pelas cartas e sermões de seu ilustre conterrâneo da literatura epistolar, o Padre Antônio Vieira. "Como estudante de Teologia, a produção dele tocou a minha vida. Mas, sobretudo, para nós na Bahia, que temos essa relação com o sagrado e o profano, as duas coisas caminham juntas na Bahia, a gente não consegue separar. Essa realidade das cartas de Antônio Vieira tocaram minha produção", afirma o escritor.

*Para ouvir a entrevista completa, clique na foto acima ou assista o vídeo abaixo.


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