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Brasil

Temer cede a caminhoneiros para evitar o caos, diz Le Monde

media Jornais franceses trazem reportagens sobre a greve dos caminhoneiros e o lançamento da candidatura de Lula à presidência. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa destaca nesta segunda-feira (28) a greve dos caminhoneiros e o lançamento da candidatura do ex-presidente Lula, mesmo preso, às eleições de outubro no Brasil. A gestão dos bloqueios dos caminhoneiros pelo governo é criticada no site do Le Monde.

As concessões anunciadas pelo presidente Michel Temer para encerrar a greve dos caminhoneiros, que paralisa o Brasil há uma semana, são noticiadas por rádios e canais de TV franceses. Entre as medidas provisórias assinadas ontem pelo presidente, Le Monde cita os 12% de redução no preço do litro do óleo diesel e o congelamento por 60 dias, além da isenção de cobrança de pedágio para alguns veículos.

A imprensa nota que, apesar do recuo do governo, o abastecimento nos postos continuava bastante comprometido no domingo e os aeroportos enfrentavam falta de combustível. Segundo Le Monde, "a gestão de Temer para solucionar o conflito com os caminhoneiros é fortemente criticada tanto à direita quanto à esquerda, num contexto político instável, a quatro meses das eleições".

Outros veículos, como o jornal Le Figaro, a revista Le Point ou a rádio Europe 1, falam sobre as operações de escolta do Exército para tentar reabastecer os postos, destacando que a greve esvaziou supermercados e prejudica o atentimento em hospitais.

O site especializado Transportissimo.fr explica que "o movimento começou após um forte aumento do combustível". O autor do texto sugere aos brasileiros insatisfeitos com as consequências da greve que reflitam sobre um slogan adotado num movimento similar ocorrido na França: "Si vous l’avez, un camion vous l’a apporté", "Se você tem, é porque um caminhão levou até você".

Lula lidera pesquisas mesmo preso

Além da greve dos caminhoneiros, a imprensa francesa registra o anúncio da candidatura do ex-presidente Lula às eleições de outubro. Teoricamente inelegível, ele foi indicado neste domingo pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para disputar um novo mandato presidencial, informa o jornal Les Echos.

A explicação para essa escolha está no fato de que a popularidade do petista, mesmo preso, está em alta, esclarece o jornal. Duas pesquisas realizadas depois da detenção de Lula mostram que ele ainda tem ampla vantagem nas intenções de voto no primeiro turno, indica o diário econômico francês.

Segundo uma pesquisa do instituto Ipsos, Lula é a figura mais popular numa lista de personalidades brasileiras, com uma cota de 45%. Mesmo na prisão, "ele permanece o líder incontestável da esquerda". Mas a estratégia do PT, que não tem um candidato alternativo à altura do desafio, deve ter vida curta e ser invalidada pela Justiça, talvez em junho ou no mais tardar em agosto, informa Les Echos.

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