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Brasil

Livre da febre aftosa: Brasil recebe certificação da ONU e amplia comércio com a China

media A carne bovina brasileira, certificada como livre de febre aftosa nesta quinta-feira (24) pela ONU, voltou à mesa de negociações do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. REMY GABALDA / AFP

O Brasil recebeu nesta quinta-feira (24) em Paris a certificação de país livre da febre aftosa, concedida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), da ONU. Aguardado durante o evento BE Brasil, promovido pela APEX no 8° distrito da capital francesa, o ministro da Agricultura Blairo Maggi não compareceu, devido, segundo o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio Odilson Luiz Ribeiro e Silva, o número 2 da pasta, a uma série de reuniões de urgência sobre a greve dos caminhoneiros no Brasil, que “vem afetando diretamente o setor”. Em entrevista à RFI Brasil, o secretário comentou os efeitos da paralisação, os benefícios da conquista do selo da ONU para a carne bovina nacional e as novidades da recente viagem da comitiva brasileira à China.

“Depois do evento da certificação na OIE, o ministro [Blairo Maggi] teve que tratar de assuntos relacionados à greve [dos caminhoneiros] no Brasil. Esta paralisação tem um grande impacto na questão agrícola, principalmente aves e suínos. Os animais precisam de ração, que não está chegando”, relatou o secretário. “A situação está muito difícil, alguns frigoríficos já estão parando”, disse. “Há muitos prejuízos. Os animais estão morrendo”, afirmou.

Em relação à certificação internacional, recebida nesta quinta-feira pelo Brasil, de território livre da febre aftosa, o governo brasileiro acredita que o selo abre portas importantes para a carne brasileira em níveis globais. “O Brasil é o maior rebanho bovino comercial do mundo. Lutamos há mais de 60 anos contra a febre aftosa, então essa é uma grande conquista. Na verdade, essa certificação é o resultado de uma luta não só do setor público, mas também do setor privado e da Academia, para que o Brasil chegasse a esse status que conquistamos hoje, Brasil livre de febre aftosa com vacinação”, disse Odilson Luiz Ribeiro e Silva.

“Temos o estado de Santa Catarina, que é livre sem vacinação. Nosso próximo cronograma é o território inteiro neste nível até 2023. No selo com vacinação, todo o gado está protegido caso haja algum episódio da doença. Sem vacinação, não. Por isso, tem que se provar muita segurança para chegar a este nível”, explica o secretário, que defende um trabalho conjunto com os países vizinhos da América do Sul. “O controle de animais é maior, o trânsito interno e externo, o controle de importação se intensifica neste caso, para evitar a chegada do vírus da febre aftosa”, explicou.

Para países que compram carne com osso e miúdos, como é o caso da China, a certificação da ONU abre o mercado para a carne brasileira. “Para o Brasil, este selo é muito importante, uma vez que suínos, aves e bovinos representam cerca de US$ 15 bilhões em exportações”, disse o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio.

O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Odilson Luiz Ribeiro e Silva. RFI/Márcia Bechara

Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia: as "pendências"

Sobre o acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, Odilson afirmou que “nunca estivemos tão próximos de fechar este acordo, após muitos anos de negociação”. As pendências, do lado brasileiro, ficam por conta dos produtos lácteos, vinhos e indicações geográficas [a chamada “apelação”, na França].

“No caso de lácteos e vinhos, os pequenos produtores brasileiros, que não são subvencionados, como na Europa, precisam de alguma proteção. Porque os europeus chegam no nosso mercado interno com um produto subvencionado, é uma concorrência difícil. Qual será a cota e quais serão as tarifas para esses produtos? É isso que precisamos acertar”, conta. “No caso das indicações geográficas, não tem sentido nos submetermos simplesmente à norma europeia, sem levar em conta a tradição de produtores brasileiros que, há mais de 100 anos, fabricam produtos com nomenclatura própria”, defende o secretário. “Não tem condição, depois de 150 anos produzindo aquele tipo de queijo, virar para o produtor e dizer não, você não pode mais chamar esse queijo de parmesão”, disse.

A questão da rastreabilidade individual do rebanho brasileiro também impede o avanço nas discussões do acordo com a UE. “Na Europa, esse controle é feito individualmente em bovinos. No Brasil, isso é realizado em grupos, por lotes. Mas isso se deve a questões sanitárias. No Brasil, só tivemos um caso atípico da doença conhecida como ‘vaca louca’, na Europa existe sempre, o status sanitário é diferente”, explica o secretário. Quanto aos protestos dos pecuaristas franceses no Salão da Agricultura de Paris em 2018 contra a carne brasileira, quando acusavam a chegada de “um produto sem a mesma qualidade e o controle europeu”, Odilson afirma que “é um mercado livre, quem vai decidir se vai comprar o produto ou não é o consumidor. Estamos abrindo nosso mercado de lácteos para a concorrência europeia, um acordo de livre comércio preconiza exatamente isso, abertura”.

Para o secretário, se os pecuaristas franceses reclamam dos padrões sanitários da carne do Brasil, os produtores brasileiros têm o direito, por exemplo, de reclamar dos padrões ambientais que não são respeitados por seus colegas franceses. “No Brasil, você é obrigado a proteger 30 metros de margem com vegetação nativa nas margens dos rios. Imagine se todos os rios da União Europeia tivessem essa cobertura nativa original? Se todas as propriedades rurais europeias tivessem área de preservação, como as brasileiras? Nenhum produtor europeu atinge esses padrões ambientais. Precisamos trabalhar com princípios de equivalência”, rebateu.

Negócio da China!

Antes da França, a comitiva brasileira passou pela China e pela Turquia, numa expedição comercial para “abrir novos mercados para produtos diversos”. “O papel que a União Europeia tinha como grande parceiro do Brasil, ela não tem mais. O bloco diminui as importações do Brasil, enquanto a China aumenta, principalmente em relações a produtos do agronegócio”, afirma Odilson Luiz Ribeiro e Silva.

“Há 10 anos atrás, a China passou a ser o maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro. Ela está à frente de todos os nossos outros parceiros, inclusive a União Europeia, e continua aumentando o volume de importações do Brasil”, diz o secretário. Números deste ano do governo brasileiro mostram que as exportações agrícolas brasileiras para o país atingiram um pico de US$ 23 bilhões (88,70% apenas em soja). Para se entender o salto que isso significa, basta olhar o histórico das transações agrícolas entre os dois países: em 2007, quando a parceria começou a se intensificar, o valor das transações não chegava a US$ 5 bilhões. No topo da lista de produtos brasileiros importados pela China, estão a soja, e a carne bovina e de frango.

“Basicamente, a China compra matérias-primas do Brasil e as processa. O grande mercado da China é o asiático”, explica Odilson Luiz Ribeiro e Silva. “A China passou a ser o maior mercado para o Brasil e está com uma política muito agressiva para importar mais. Tanto é que o país realizará a maior feira de importação do mundo em novembro deste ano em Xangai, reunindo 1,3 milhão de importadores”, conta. “Temos muitos temas a tratar com a China. É o maior mercado de carnes para nosso país. Somos dependentes dos chineses em termos de plantio de grãos: para aprovar o plantio de soja geneticamente modificada (OGM), não plantamos, por exemplo, se a China não aprovar [são os maiores importadores mundiais da soja brasileira]”, revela.

A comitiva brasileira quer também começar a exportar frutas e material genético para o país. “Precisamos conhecer melhor o mercado chinês. É culturalmente muito específico. Eles não consomem, por exemplo, como a União Europeia, o peito do frango, mas apenas os pés, pescoço, e miúdos, que são iguarias para eles”, afirma o secretário.  

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