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Brasil

Aloysio Nunes chama de "arrogante" manifesto de François Hollande a favor de Lula

media Ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em nota divulgada nesta quarta-feira (16) pelo Itamaraty, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira reagiu duramente a um manifesto divulgado por ex-chefes de Estado europeus pedindo a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais deste ano. O ministro interpretou o gesto como “preconceituoso, arrogante e anacrônico” e disse ter recebido a iniciativa com “incredulidade”.

Na nota, o ministro das Relações Exteriores ressaltou que cidadãos brasileiros condenados em órgãos colegiados ficam impedidos de disputar eleições. “Ao sugerir que seja feita exceção ao ex-presidente Lula, esses senhores pregam a violação do estado de direito”, afirma.

 

Na terça-feira (15), o ex-presidente da França, François Hollande e o ex-chefe do governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, assinaram um manifesto em favor da libertação e candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições. O texto também foi endossado pelo ex-primeiro-ministro da Bélgica, Elio Di Rupo, além de três ex-presidentes do conselho de ministros da Itália: Enrico Letta, Massimo D’Alema e Romano Prodi.

 

No documento, criticado pelo chefe da diplomacia brasileira, os líderes europeus chamam de “apressada” a prisão de Lula, afirmando que o petista é um “incansável arquiteto da redução das desigualdades no Brasil”. “A luta legítima e necessária contra a corrupção não pode justificar uma operação que questiona os princípios da democracia e o direito dos povos a escolher seus governantes”, completou o manifesto, que ainda solicitou “que o presidente Lula possa se submeter livremente ao sufrágio do povo brasileiro”.  

Segue a íntegra da nota do Itamaraty:

“Recebi, com incredulidade, as declarações de personalidades europeias que, tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro. Qualquer cidadão brasileiro que tenha sido condenado em órgão colegiado fica inabilitado a disputar eleições. Ao sugerir que seja feita exceção ao ex-presidente Lula, esses senhores pregam a violação do estado de direito. Fariam isto em seus próprios países? Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrônico contra a sociedade brasileira e seu compromisso com a lei e as instituições democráticas”.

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