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Milton Hatoum: “Somos do mesmo país, andamos para margens opostas”

Milton Hatoum: “Somos do mesmo país, andamos para margens opostas”
 
O escritor Milton Hatoum. A. Brandão

Literatura brasileira e francesa, Brasília, São Paulo, Paris, Manaus, Brasil de hoje e ditadura militar, estes são os temas que nortearam o RFI convida desta quarta-feira (11) na companhia do amazonense radicado em São Paulo, Milton Hatoum, três vezes vencedor do Jabuti e um dos maiores escritores brasileiros.

Milton Hatoum veio a Paris participar de uma série de conferências na Sorbonne, além de inaugurar o projeto embaixadores de culturas lusófonas da instituição. Ele fala de sua obra e de suas fontes de inspiração. “Dei uma palestra na biblioteca da Sorbonne há alguns dias e acredito que haja um interesse crescente pela literatura brasileira. Falei sobre meu romance ‘Dois Irmãos’, sobre as fontes desse livro, sobre ‘Esaú e Jacó’, de Machado de Assis, e das adaptações do ‘Dois Irmãos’ para os quadrinhos e para a televisão”, conta o escritor.

“Foi uma troca de experiências”, completa Hatoum. “No dia 12 de abril dou uma conferência sobre ‘Vidas Secas’, do Graciliano Ramos, um romance importante para a minha formação. Li na minha juventude em Manaus e nunca mais deixei de reler esse romance”, conta.

O escritor falou ainda de sua forte relação com a França. Quatro de seus cinco romances, “Relato de um certo Oriente”, “Dois Irmãos”, “Cinzas do Norte” e “Orfãos do Eldorado” já foram traduzidos para o francês e tiveram, como no Brasil, sucesso de público e de crítica. Seu livro de contos, “A cidade ilhada”, também foi traduzido e chega às livrarias francesas ainda em 2018. Ele recebeu no ano passado a Legião de Honra, a mais alta distinção francesa.

“A literatura francesa sempre foi uma grande fonte de inspiração desde a minha juventude. Minha avó libanesa falava um pouco de francês. O conto ‘Un coeur simple’, do Flaubert, influenciou meu romance ‘Dois irmãos’. Li os romances franceses do século 19, depois li Proust, Céline, enfim, os grandes. E fui professor de francês durante 15 anos”, revela Hatoum.

Paris e Literatura

“Foi em Paris que comecei a escrever meu primeiro romance, a distância ajuda a gente a pensar em seu país, em suas origens e em si mesmo. Foi importante ter vivido em paris esses anos da minha juventude”, diz o escritor.

O último romance “A noite da Espera”, o único ainda não traduzido para o francês, começa em Paris, no final dos anos 1970. “É um romance de formação de um grupo de jovens estudantes meio perdidos em Brasília, numa época dura, difícil, com enorme repressão, censura, no auge da ditadura. É narrado por um paulistano, que depois se exila em Paris.

O livro que fala dos anos da ditadura no Brasil é o primeiro da trilogia, “Um lugar mais sombrio”, nome escolhido há muito tempo, mas que, segundo Milton Hatoum, veio a calhar neste momento. “Infelizmente. É uma noite longa e sombria durante a ditadura. É incrível que algumas pessoas sintam nostalgia desse tempo de arbítrio, de violência, de tanta repressão, antidemocrático. Vou publicar o segundo volume esse ano, em novembro”, antecipa.

Logo no início de “A noite da Espera”, Hatoum escreve uma frase que é também o espelho do Brasil de hoje : “somos do mesmo país, andamos para margens opostas”. “É uma metáfora do livro. No fundo, a obra vai falar sobre essas margens opostas. São brasileiros que não se encontram. Que não têm uma mesma ideia do país. O Brasil é um fosso, um abismo social", afirma.

"Enquanto os brasileiros mais ricos, da classe média ou da elite, não entenderem que há uma parte considerável do povo que é excluída socialmente, economicamente, não chegaremos a lugar algum. Quem pensa em incluir socialmente os pobres é punido no Brasil", conclui.

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