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"Movimentos progressistas brasileiros subestimaram fenômeno evangélico", diz jornalista francesa

 
A jornalista e escritora Lamia Oualalou RFI

Ela morou no Brasil durante 10 anos, entre 2007 e 2017, quando foi correspondente de diversos veículos de imprensa franceses, entre eles Le Figaro e Mediapart. Durante esse período, além das reportagens sobre o país, ela realizou uma grande pesquisa sobre um fenômeno religioso: o espetacular crescimento das igrejas evangélicas no Brasil. O RFI Convida nesta sexta-feira (30) a jornalista Lamia Oualalou, que lança o livro "Jésus t'aime, la déferlante évangelique" ("Jesus te ama, a onda evangélica", em português)

*Para assistir a entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo

Para a jornalista francesa Lamia Oualalou, a multiplicação das igrejas evangélicas no Brasil sinaliza antes de tudo uma "ruptura". "O Brasil continua sendo o maior país católico do mundo, já depois de quatro séculos, e a partir dos anos 1970 algo começou a mudar. Algo como 92% dos brasileiros se diziam católicos, agora são 64% e, provavelmente em 2020 teremos uma nova realidade, mais ou menos por volta dos 50%", analisa.

A jornalista e escritora explica que a Igreja Católica perdeu muito terreno porque a Teologia da Libertação perde o direito de trabalhar como antes. "O Papa vai atrás desse movimento que considera esquerdista", relata. Por outro lado, "há uma mudança urbana muito importante, a Igreja Católica tem muita dificuldade para se pensar fora do centro da cidade. Quando são favelas, ou pequenas cidades da periferia, é muito difícil para a Igreja Católica ir, ao contrário da Evangélica, onde um pastor se torna pastor com apenas três meses de formação, e oficia com três cadeiras de plástico e um piano", afirma.

Religião fast-food?

fast-food para uma população que se encontra sem nada, porque é uma igreja oferece uma rede social, uma ajuda, sobretudo às mulheres, é um fenômeno muito feminino. São mulheres que trabalham como empregadas domésticas no centro da cidade, pegam três horas de ônibus para ir [ao trabalho] e três para voltar, não falam com ninguém, quando voltam em suas cidades ou favelas, não existe nenhum lugar de socialização, só bares. O resultado é que nessa igreja ela tem proteção, ajuda, seus filhos têm lazer", detalha Oualalou.

A autora conta que as igrejas evangélicas possuem uma "lógica de marketing". "Tem evangélico para todos os gostos. Para quel gosta de futebol, praia, para homossexuais, surfistas... Isso é a força e a fraqueza deles também, porque acaba sendo muito dividido, não existe um projeto evangélico, ao contrário da Igreja Católica, mas isso ajuda a difundir a cultura evangélica, que agora está em todo o Brasil, a música, o jeito de se vestir, e isso está mudando muito a cara do país", afirma.

A comunicação é um ponto-chave nesse projeto, segundo conta Lamia Oualalou. "Tem a ver com um trabalho de mídia, que eles entenderam muito melhor do que os outros. Basta lembrar que o segundo canal de TV no Brasil, a Record, é da Igreja Universal. Mas há também a internet, rádio, jornais, uma presença enorme", pontua.

Movimentos progressistas subestimaram o fenômeno

"Há também um grande erro dos movimentos e dos partidos políticos progressistas, que abandonaram essa população. Talvez porque o Partido dos Trabalhadores tinha uma relação forte com a Igreja Católica, e talvez também por ignorância, porque estas pessoas estão na periferia, não estão no centro", avalia a jornalista.

Segundo ela, quando a esquerda se afasta é a direita - "e a direita dura" - que se aproxima dessa população. "A partir do momento em que a esquerda pensa que temas como família são de direita, é estúpido, a família poderia ser também um valor de esquerda. Por um lado, [a igreja evangélica] é neoliberal, porque a ideia é ganhar muito dinheiro, ter bens materiais, mas ao mesmo tempo o que é muito importante entre os evangélicos é essa rede de solidariedade que ninguém oferece hoje no Brasil", afirma.

A presença evangélica na política brasileira

O livro "Jesus te ama, a onda evangélica", publicado pela editora Cerf, lembra que em 1982 havia apenas dois parlamentares evangélicos no Congresso brasileiro. Em 2014, esse número aumentou para 87. Qual seria o prognóstico para as eleições de 2018?

"Prognóstico político hoje [no Brasil] é bilhete da megasena", brinca a jornalista. "Eles desejam obter cerca de 180 deputados nas próximas eleições, porque, de fato, há menos deputados evangélicos do que eles são em termos de representatividade na população, hoje por volta de 30%", avalia.

Veja abaixo o vídeo da entrevista


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