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Brasil

Sem surpresa, manifestantes reagem à condenação de Lula em Porto Alegre

media Manifestantes comemoram confirmação da condenação de Lula por TRF-4 em Porto Alegre, em 24 de janeiro de 2018. REUTERS/Ueslei Marcelino

Ainda antes do vogal Victor Laus encerrar a leitura do seu voto, o tempo fechou em Porto Alegre. Por volta das 17h30 (hora local), a turma pró-Lula já havia dispersado de onde estavam concentrados, entre o TRF-4 e o Anfiteatro Pôr do Sol, local do acampamento da militância petista.

Marcela Donini, correspondente da RFI em Porto Alegre

A chuva torrencial, típica dos janeiros porto-alegrenses, veio para se juntar aos dois votos desfavoráveis a Lula e acabar com a festa vermelha. O relator, João Pedro Gebran Neto, e o revisor, Leandro Paulsen,  já haviam condenado Lula a 12 anos e um mês de prisão em segundo grau pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Em seguida, Laus encerrou seu voto e o placar de 3 a 0 confirmou o que muitos já esperavam. “Não foi uma surpresa. Já sabíamos. Porque não existe justiça nesse país. Não tenho esperança de que se reverta porque o país está tomado pelos golpistas”, disse a psicóloga Alzenira Bezerra, 59 anos, que veio de Aracaju para o ato em apoio a Lula.

“O judiciário está cada vez mais ligado à sua origem, que são as elites, não representa o povo nem a Justiça”, acrescentou Doralvino Sena, bancário aposentado. “Pra mim, a grande surpresa foi reunir a militância, trabalhadores do Brasil inteiro”, disse o gaúcho que vive em Brasília. O aposentado fazia parte de um grupo de cerca de 15 pessoas que bebiam em um quiosque na orla do Guaíba,próximo ao Anfiteatro, e aguardavam a chuva passar.

Anti-Lula

Em outro bairro da cidade, no Parque Moinhos de Vento, os grupos anti-Lula comemoravam o resultado. “O sentimento é de lavar a alma”, diz a advogada Tatiana Cassel, enrolada na bandeira brasileira. “Acredito no Estado Democrático de Direito. O TRF-4 foi independente”, afirmou.

Também sem surpresa, Paula Cassol, coordenadora estadual do Movimento Brasil Livre (MBL), comemorava o resultado lembrando que permaneceu a regra do TRF-4 de manter ou majorar a maioria das decisões de primeiro grau. “Foi importante a transparência da sessão, transmitida pela internet, pras pesssoas acompanharem e pra elucidar uma narrativa mentirosa de que não havia provas”, afirmou.

Por volta das 19h, já sem chuva, o movimento no parque ainda era tímido, mas barulhento. Algumas dezenas de pessoas erguiam bandeiras verde e amarelo na esquina das avenidas Goethe com Mostardeiro, enquanto meia dúzia de pessoas em cima de um caminhão pediam o fim da ideologia de gênero e afirmavam que todos os partidos políticos são comunistas.

“Buzine pelo Brasil! Intervenção militar! Todos os bandidos na cadeia!”, gritava uma das mulheres em cima do veículo para os carros que passavam apoiando a manifestação. “É sempre assim, pegam carona nos nossos eventos mas não têm nada a ver conosco”, alertou Paula.

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