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Brasil

Lula denuncia à imprensa estrangeira "mentiras" em seu processo

media Imagem de julho de 2016 ilustra a entrevista concedida pelo ex-presidente Lula ao Libération e outras publicações estrangeiras. DR

A quatro dias do julgamento em segunda instância no Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (TRF 4), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado a nove anos e meio de prisão por corrupção no caso do triplex de Guarujá –, reuniu a imprensa internacional em seu instituto, em São Paulo, para denunciar "mentiras" relatadas nas investigações. Na França, a entrevista é publicada neste sábado (20) no jornal Libération.

A correspondente do Libération em São Paulo, Chantal Reyes, conduziu a entrevista na expectativa de que Lula fizesse uma autocrítica sobre seus erros e os do Partido dos Trabalhadores nos últimos 15 anos. Mas o ex-presidente está convencido de que não é o momento de dar o braço a torcer e se concentra em sua defesa, denunciando a Lava Jato como uma operação com fins políticos.

Depois de reiterar sua confiança na justiça "como um bom democrata", Lula diz que o processo do triplex é fundamentado em um artigo mentiroso do jornal O Globo, que afirmou que o apartamento em questão pertence a ele. Essa acusação falsa, de acordo com o petista, foi encampada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, além de ter sido aceita pelo juiz Sérgio Moro. "Isso me faz supor que havia segundas intenções políticas, misturadas com ódio", destaca.

Lula exige que as instâncias que o acusam apresentem as provas materiais de que o apartamento pertence a ele. "Se o objetivo é o de me impedir de disputar a eleição presidencial, a existência de provas vai me desacreditar totalmente diante do povo", argumenta. Na avaliação do petista, se o tribunal de Porto Alegre julgá-lo com base nos elementos do processo, "serei sem dúvida absolvido". "Se a motivação política prevalecer, serei condenado", sinaliza.

"PT foi o partido que mais combateu a corrupção"

O ex-presidente (2003-2011) insiste que o que está em julgamento não é sua pessoa, e sim o governo petista. Ele garante que a intenção de disputar a eleição presidencial não é um subterfúgio para escapar de uma condenação.

"Enfrento nove outros processos judiciais de cabeça erguida. Luto para provar a minha inocência. É justamente o contrário: quero ser absolvido para ser candidato. Os que me acusam sabem que mentiram", enfatiza, acrescentando que o Partido dos Trabalhadores foi a legenda que mais combateu a corrupção no Brasil. Lula retoma a tese defendida por alguns juristas, intelectuais e jornalistas de que houve uma "judicialização" da política, "a politização de alguns membros da Justiça".

O ódio contra os governos petistas, segundo Lula, foi provocado pela ascensão significativa dos pobres na pirâmide social brasileira durante os 12 anos em que o Partido dos Trabalhadores esteve no poder, além de uma cobertura tendenciosa da mídia às acusações de corrupção.

Quando questionado por que razão o PT teria sido mais injustiçado do que partidos de direita também denunciados na Lava Jato, Lula explica que a corrupção havia chegado a um ponto tão flagrante que "se tornou impossível escondê-la". No entanto, ele considera que só o PT esteve na mira da mídia durante os dois primeiros anos das investigações. Para Lula, existe um "carnaval" em torno da Lava Jato e "os juízes são influenciados pela opinião pública".     

"Yuppies fazem terrorismo eleitoral"

Sobre o receio manifestado pelo setor empresarial em relação a um possível retorno do PT ao poder, Lula diz que os bancos ganharam muito dinheiro nos últimos anos e atribui o clima de medo a "yuppies de 29 anos que fazem terrorismo eleitoral e especulam nos mercados para ganhar mais dinheiro".

Questionado se não é capaz de fazer uma autocrítica, se não se arrepende de alguma coisa, Lula responde que seu arrependimento é de não ter feito mais para lutar contra o analfabetismo e pela democratização dos meios de comunicação, "monopólio de algumas grandes famílias".

"O PT não rouba"

Lula declara que "o PT não rouba" e fez a limpeza necessária afastando as pessoas implicadas no escândalo do Mensalão. "Se um dos membros do partido - e somos 2 milhões - comete erros, não o protegemos." Para o ex-presidente, a legenda ainda conta com grande credibilidade, muito superior à de outros partidos. Ele acredita que "mesmo sofrendo um massacre da imprensa, desde 2005, o PT receberá sua maior votação nas eleições de outubro".

Indagado sobre seus planos se for eleito, Lula diz que pretende realizar uma política diferente. Sugere, por exemplo, a convocação de um referendo para revogar as reformas aprovadas no governo de Michel Temer, como as novas regras trabalhistas e a PEC do limite de gastos do governo federal durante 20 anos, "feitas para atender a interesses dos mercados.

"A educação, por exemplo, não é uma despesa e, sim, um investimento no futuro do país. Aumentar a dívida, às vezes, vale a pena quando existe uma contrapartida. O Brasil não deveria ter medo. O país dispõe da quarta maior reserva internacional do mundo, um fundo de US$ 378 bilhões. O projeto atual [de Temer] se resume a se desfazer do patrimônio público. É preciso ter audácia, um projeto", conclui o petista.

Aos 72 anos, Lula só pensa em disputar sua sexta eleição presidencial.

* Jornalistas do New York Times, El País, La Nación, Die Zeit e The Guardian também participaram da entrevista ao lado da correspondente do Libération.

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