Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 21/10 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 21/10 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 21/10 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 21/10 09h57 GMT
  • 09h33 - 09h57 GMT
    Programa 21/10 09h33 GMT
  • 09h30 - 09h33 GMT
    Jornal 21/10 09h30 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 19/10 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 19/10 09h30 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.
Brasil

Arqueóloga brasileira participa de missão resgate de tesouros milenares no Afeganistão

media A arqueóloga brasileira Samara Broglia (de azul), em Mes Aynak. Arquivo Pessoal/Samara Broglia

Uma corrida contra o relógio: esse é o desafio dos arqueólogos que trabalham na recuperação do sítio de Mes Aynak, no leste do Afeganistão. O local guarda vestígios milenares da civilização budista, mas, igualmente rico em cobre, é ameaçado por uma estatal mineira chinesa que deve iniciar a exploração no sítio em breve. À RFI, a arqueóloga brasileira Samara Broglia, que trabalhou no local durante sete meses, contou sobre as atividades que desenvolveu em Mes Aynak junto a uma equipe financiada pelo Banco Mundial.

"Foi uma experiência incrível trabalhar em um sítio como Mes Aynak, que tem um potencial arqueológico, histórico e cultural imensos para a nossa civilização”, afirma a arqueóloga paulistana Samara Broglia, que chegou ao Afeganistão em agosto de 2011 - única brasileira a participar das escavações.

A brasileira não esconde, no entanto, a frustração de ter seus trabalhos limitados pela China Metallurgical Group (CMG), que assinou um contrato com o governo do Afeganistão para explorar, durante 30 anos, o subsolo de Mes Aynak, cujas jazidas de cobre são estimadas em 6 milhões de toneladas.

“Como arqueóloga, o sentimento é de querer escavar o sítio inteiro, mesmo conhecendo as dificuldades disso. Afinal, à medida que nosso trabalho evoluiu, tínhamos cada vez mais perguntas e gostaríamos de poder responder a todas elas”, reitera.

40 hectares de tesouros arqueológicos

No total, Mes Aynak compreende uma área de 40 hectares na província afegã de Logar, no leste do país. O sítio foi descoberto por um geólogo francês na década de 1960 e chegou a ser mapeado por arqueólogos nos anos 1970, mas as escavações, além de exigirem recursos com os quais o país não contava, ainda foram prejudicadas pela instabilidade política no Afeganistão nas décadas seguintes.

Os arqueólogos só puderam ter a verdadeira dimensão dos vestígios que Mes Aynak abriga quando, em 2004, afegães conseguiram finalmente dar início aos trabalhos e descobriram no local uma cidade inteira, abrigando sete monastérios, um templo, monumentos, casas, dois fortes e mais de mil estátuas de Buda. 

Mas, mais uma vez, as esperanças de resgatar a totalidade do que foi classificado como uma das maiores descobertas deste século - comparada a Machu Picchu – foram frustradas a partir de 2007, quando a China Metallurgical Group adquiriu os direitos de explorar o local.

A partir de então, uma verdadeira corrida contra o relógio mobilizou arqueólogos do mundo inteiro para ajudar os afegãos nas escavações, como o grupo integrado por Samara. A equipe permaneceu no local até 2012, quando o trabalho foi entregue a especialistas locais.

No total, Mes Aynak abriga cerca de 120 setores de escavação. À RFI, Samara contou que sua missão eram as escavações em um setor particular – o 044, além do registro das estruturas do setor 005. Segundo ela, além dos tesouros milenares, o local também é importante porque mostra uma rara exploração do cobre relacionada a um sítio budista. “Em toda a região da Ásia Central, não é muito comum encontrarmos vestígios de uma relação entre essa religião e economia”, afirma.

Fim dos trabalhos foram adiados

De acordo com a paulistana, quando chegou ao local, a previsão era que os trabalhos durassem apenas um ano, mas acabaram sendo prolongados até hoje. A previsão é que a missão do Banco Mundial seja renovada dentro de breve, enquanto arqueólogos afegãos e tajiques dão sequência ao trabalho no local. “Mas não se sabe até quando poderemos continuar as escavações”, diz Samara.

Segundo a arqueóloga, houve uma grande pressão para o término as atividades dos arqueólogos no início. No entanto, a finalização das escavações acabou sendo estendida nos últimos anos sem que houvesse um esclarecimento sobre a situação ou um prazo final preciso.

Tudo isso, aliado à pressão da insegurança e da ameaça dos talibãs. Samara conta que, antes do início dos trabalhos de escavação, o terreno foi submetido à desminagem. Em contrapartida, a arqueóloga também lembra que o local é altamente protegido pela polícia afegã e não é um dos alvos preferenciais dos insurgentes por, segundo ela, saberem o quanto a mina é essencial para a economia do país.

Samara permaneceu no Afeganistão até o fim de 2017, como integrante da Delegação Arqueológica Francesa no país. Atualmente mora em Praga, onde redige sua tese de doutorado pela École pratique des hautes études (PSL).

Sobre o mesmo assunto
 
O tempo de conexão expirou.