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Professor apresenta rap dos indígenas brasileiros na Sorbonne

Professor apresenta rap dos indígenas brasileiros na Sorbonne
 
Volnei José Righi, professor da URI de São Luiz Gonzaga, nos estúdios da RFI. RFI

A universidade Sorbonne Nouvelle Paris 3 organiza nesta quinta-feira (8) um colóquio sobre povos autóctones no continente americano. Um dos aspectos abordados durante a conferência é o rap produzido pelos índios brasileiros e por uma minoria canadense, que defendem suas raízes culturais por meio da música.

Apesar dos milhares de quilômetros que os separam, os índios guarani da etnia Kaiowa, do Mato Grosso do Sul, e os Pikogan, um grupo autóctone do Canadá, têm um ponto em comum: o rap. Do lado brasileiro, grupos como Brô MC’s e Jovens conscientes fazem músicas engajadas misturando a língua portuguesa com o guarani, enquanto o canadense Samian Tremblay, que vive na região do Quebec, faz malabarismo entre o francês e o Algonguin, um dialeto local.

Porém, “ambos reivindicam a terra, a identidade do local em que nasceram, e a sua preservação”, comenta Volnei José Righi, professor da URI (Universidade Regional Integrada) do Alto Uruguai e das Missões de São Luiz Gonzaga. O especialista veio do Rio Grande do Sul para apresentar uma conferência sobre o tema na capital francesa.

Rap continua engajado

Nos dois extremos do continente americano, os músicos autóctones respeitam, cada um à sua maneira, as origens do rap. Nascido nos anos 1960 e inserido no Brasil no final dos anos 1980, o ritmo vindo de uma tradição que misturava cantos, danças e batuques da cultura negra africana, se consolidou como uma forma de contestação, adotado inicialmente por minorias nas periferias. E mesmo se o rap pode ser visto como uma influência externa em um povo que tenta preservar sua própria cultura, a iniciativa dos autóctones é bem vista pelos caciques e chefes das tribos e comunidades.

Os membros do Brô MC’s, da etnia Kaiowa, do Mato Grosso do Sul, se apresentam como um dos primeiros grupos de rap indígena do Brasil. Divulgação / Goldemberg Fonseca

“Tudo o que é possível fazer em nome da preservação de sua identidade, da sua marca, da sua espiritualidade, da sua terra e de seus costumes é muito bem recebido, pois é uma forma de se projetar para fora da aldeia”, comenta o professor. “Fazendo isso, eles também estão marcando um espaço, dizendo para as comunidades não-autóctones: nós existimos e precisamos de um espaço”, explica Righi.

O professor, que fez uma tese de doutorado sobre o rap no Brasil, também fala sobre a evolução do ritmo no país, bem além das aldeias. “Até 2010, nós tínhamos um rap eminentemente feito por homens. Desde então já existem mulheres fazendo rap, a batida da música modificou e se modernizou. Mas a temática não mudou. O rap ainda está engajado e denuncia questões étnicas, sociais e violência”, analisa.

Ouça a entrevista completa clicando na foto acima.


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