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Brasil

Após canonizar mártires mortos no Brasil, Papa faz apelo pela Amazônia

media Papa Francisco logo após a cerimônia de canonização em Roma. REUTERS/Alessandro Bianchi

O Papa Francisco anunciou neste domingo (14) 35 novos santos, entre eles 30 mártires assassinados no século 17 no Brasil por calvinistas holandeses, além de três adolescentes mexicanos mortos no século 16. O sumo pontífice também anunciou um sínodo mundial dedicado à Amazônia.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

A praça São Pedro estava repleta de bandeiras verde-amarelas. Mais de 400 brasileiros assistiram a cerimônia de canonização dos 35 novos santos, dos quais 30 representam "os primeiros santos mártires do Brasil".

Muitos peregrinos vieram do Rio Grande do Norte, estado onde ocorreram os martírios. Para Jerônimo Lucas de Araújo, de Natal, a emoção é grande. “É a segunda vez, vim para a beatificação e agora para a canonização dos mártires de Cunhaú e Uruaçú”, contou. A potiguara Estela Paula do Nascimento, de 84 anos, também assistiu a cerimônia. “Fico muito emocionada porque é uma coisa bela, maravilhosa. Só deus faz a gente ter força e coragem de vir.”

Brasileiros assistiram cerimônia no Vaticano 15/10/2017 Ouvir

Depois da missa, antes de rezar a oração do Angelus, o Papa fez um apelo pela Amazônia e anunciou a convocação da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica. O Sínodo será em Roma, em outubro de 2019.

Francisco explicou que o objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização da população local, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno. O papa ressaltou também que a escolha do tema é por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta. “Que os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, no respeito da beleza da Criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados, percorram caminhos de justiça e de paz”, disse Francisco.

Sínodo da Pan-Amazônia

A realização de um encontro do Papa no Vaticano com os bispos de toda a região (9 países compõem a Pan-Amazônia) tem sido cogitada há vários meses. A finalidade é também avaliar os desafios e buscar respostas comuns para seus mais de 30 milhões de habitantes.

Segundo o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da REPAM, Rede Eclesial Pan-amazônica, dois aspectos são prioritários deste sínodo: a dimensão missionária, evangelizadora e a questão ecológica diante da ameaça de destruição e desmatamento.

Homilia

Inspirando-se no Evangelho de Mateus, o sumo pontífice recordou em sua homilia que ”o Reino de Deus é comparável a uma Festa de Núpcias”. Nós, “somos os amados, os convidados” para estas núpcias, mas “o convite pode ser recusado”. Neste sentido, somos chamados a “renovar a cada dia a opção de Deus, vivendo segundo o amor verdadeiro, superando a resignação e os caprichos de nosso eu”.

Durante a homilia, o Papa falou dos santos canonizados, sobretudo dos numerosos mártires: “Eles não disseram ‘sim’ ao amor com palavras e por um certo tempo, mas com a vida e até ao fim. O seu hábito diário foi o amor de Jesus, aquele amor louco que nos amou até ao fim, que deixou o seu perdão e as suas vestes a quem o crucificava. Também nós recebemos no batismo a veste branca, o vestido nupcial para Deus”.

Mártires do Brasil

Os 30 novos santos do Brasil são chamados "mártires de Cunhaú e Uruaçú" – nomes de duas localidades da época que hoje correspondem aos municípios de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante no Estado do Rio Grande do Norte. Os massacres são considerados como símbolos da intolerância religiosa de holandeses calvinistas que dominavam o Nordeste brasileiro.

Os martírios ocorreram em 1645 em duas situações distintas. O primeiro aconteceu em 16 de julho em Cunhaú dentro de uma capela durante a missa de domingo celebrada pelo padre André de Soveral. Os soldados holandeses, seguidos pelos índios, entraram na igreja e assassinaram brutalmente o religioso e cerca de 70 fieis.

O segundo episódio foi em 3 de outubro do mesmo ano às margens do rio Uruaçú. Terrorizadas com as notícias do massacre anterior, cerca de 80 pessoas tentaram se proteger em fortificações, mas o local foi cercado pelos holandeses. As vítimas foram despidas e assassinadas por não terem se convertido ao protestantismo. Nem crianças foram poupadas do ataque. Uma delas, com dois meses de vida, foi morta junto com uma irmã e o pai.

Estima-se que 150 pessoas foram assassinadas nestes dois massacres, mas apenas 30 foram identificadas. A lista de novos santos inclui um total de 25 homens, entre eles dois padres – André de Soveral e Ambrósio Francisco – e cinco mulheres. Eram 16 adultos, 12 jovens e duas crianças. Eles foram beatificados no ano 2000 pelo Papa João Paulo II.

A comprovação de milagres não foi exigida para fundamentar a canonização. A decisão do papa Francisco por meio do chamado processo de equipolência, reconhece a santidade considerando três requisitos: a prova da constância e da antiguidade do culto aos candidatos a santos, o atestado histórico incontestável de sua fé católica e virtudes e a amplitude de sua devoção.

O mesmo processo, em que milagres foram dispensados, foi adotado para a canonização de São José de Anchieta, outro santo do Brasil.

Quem são os novos santos

Além dos 30 novos santos do Brasil, o papa canonizou também três adolescentes mexicanos: Cristóbal, Antonio y Juan, conhecidos como os mártires de Tlaxcala no México assassinados por ódio a fé, em 1527 e 1529.  Na mesma cerimônia, foram canonizados o sacerdote espanhol, Faustino Míguez, fundador do Instituto das Filhas da Divina da Divina Pastora, e o Frade Menor Capuchinho italiano, Ângelo de Acre.

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