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Brasil

Le Monde critica declarações de Mourão sobre possível intervenção militar no Brasil

media A ação de militares é contestada no Brasil. REUTERS/Bruno Kelly

O jornal francês Le Monde traz um artigo datado desta segunda-feira (2) no qual critica as declarações recentes do general brasileiro Antonio Hamilton Mourão, que sugeriu uma intervenção militar em caso de falta de ação da Justiça contra a corrupção. A correspondente do vespertino em São Paulo lembra que esse tipo de medida remete aos tempos da ditadura e do golpe militar vivido pelo Brasil em 1964.

A jornalista relata a palestra promovida pela comunidade maçônica em Brasília em meados de setembro, na qual o general, que também é Secretário de Economia e Finanças do Exército, falou sem pudores de uma possível ação militar para resolver a “crise ética e político-institucional. “Em um país no qual as feridas da ditadura militar (1964-1985), com suas torturas, assassinatos e prisões arbitrárias, ainda não cicatrizaram, o discurso de Mourão, que foi filmado, fez barulho nas redes sociais”, comenta a correspondente em um artigo.

Com o título "o frisson de um golpe de Estado", o texto explica que o general é conhecido por suas declarações polêmicas, como em 2015 quando criticou a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, e defendeu "o despertar de uma luta patriótica". Porém, comenta Le Monde, na ocasião o militar foi afastado de seu cargo, após sua hierarquia lembrar que o Exército não deve fazer política. Mas desta vez, analisa a correspondente, nenhuma sanção foi anunciada.

O artigo ressalta que a Constituição brasileira estipula claramente que nenhuma intervenção militar pode ser lançada sem a autorização do presidente da República. E completa afirmando que apesar das declarações de Mourão, que alega a "iminência de um caos", nada pode legitimar uma ação das Forças Armadas.

Discurso não chocou a todos

No entanto, a jornalista ressalta que nem todos ficaram chocados com o discurso do general. “Essa mensagem é um alerta ao poder judiciário e aos políticos”, declara a advogada Janaína Paschoal, citada no texto. “Não podemos colocar as acusações de corrupção embaixo do tapete. A justiça deve terminar seu trabalho. Como podemos aceitar que o Tribunal Eleitoral não tenha demitido Michel Temer ou que Aécio Neves ainda esteja em liberdade?”, continua a advogada nas páginas do Le Monde.

“Como Janaína Paschoal, muitos brasileiros assistem desapontados ao naufrágio da classe política, boquiabertos diante da demora, da impotência ou da complacência da justiça”, pondera o texto. “Alguns deles, que parecem ter a memória seletiva, tentam se apegar ao Exército, enganados pela ideia, já desmentida pela História, de que as Forças Armadas seriam isentas de corrupção”, analisa a correspondente. Se junta a esse fenômeno a ilusão de que a intervenção dos militares seria a única solução possível para “compensar o descuido do Estado diante do terror ligado à explosão da violência urbana”, analisa.

Esse desespero se traduz em pesquisas de opinião, que apontam para uma propensão de muitos brasileiros (21% segundo a pesquisa da Datafolha datando de 1° de outubro) a preferirem, em algumas circunstâncias, a ditatura ao regime democrático, relata. Além disso, os números confirmam a popularidade em alta de Jair Bolsonaro, que Le Monde apresenta como “militar, machista, homofóbico e saudoso da ditadura”.

“Candidato oficial para a presidencial de 2018, esse personagem, que se imaginava restrito ao triste folclore brasileiro, aparece como um dos favoritos para o pleito, logo atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em primeira instância a 9 anos de prisão por corrupção”, conclui a correspondente do jornal francês Le Monde no Brasil.

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