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Brasil

Guerra na Rocinha tem como pano de fundo impotência do poder público, segundo Le Figaro

media A guerra pela disputa do tráfico na Rocinha é tema de uma reportagem na imprensa francesa. Fotomontagem/ lefigaro.fr/Fernando Frazão Agencia Brasil

A disputa pelo controle do tráfico de drogas na favela da Rocinha, onde uma intervenção do exército está em curso, ganhou destaque nas páginas do jornal Le Figaro desta sexta-feira.

Com o título "A guerra entre a Viúva Negra e Rogério 157", a reportagem revela os bastidores de uma luta violenta pelo controle do tráfico de drogas em uma das maiores favelas da América Latina.

O texto começa com um perfil de Danúbia de Souza Rangel, 33 anos, descrita como uma mulher que adora postar fotos em redes sociais de seu "corpo esculpido pela musculação e por cirurgias plásticas".

Foragida, ela é esposa de Antonio Francisco Bonfim Lopes, mais conhecido como Nem, ex-líder do tráfico na favela. Conhecida como "xerife da Rocinha", Danúbia trava uma luta sangrenta com o ex-braço direito de Nem pelo controle da favela, situada no entroncamento de vários bairros residenciais. Por sua situação privilegiada, a Rocinha inunda de cocaína e maconha a cidade do Rio, diz a reportagem.

O correspondente do jornal faz um relato minucioso da rivalidade entre diversas facções que explodiu na Rocinha e evoluiu para um conflito armado. Escolas, postos de saúde e serviços públicos foram obrigados a fechar as portas, até nos ricos bairros vizinhos. Uma estrada ligando as zonas sul e oeste do Rio chegou a ser fechada, paralisando a cidade.

Impotência do poder público

O clima de guerra obrigou o governo do Rio de Janeiro a pedir a intervenção do exército, que enviou milhares de soldados para cercar e invadir a favela, relata o corresponde do jornal, Michel Leclerq.

A prioridade da polícia é prender Rogério Avelino da Silva, conhecido como Rogério 157, ex-aliado do traficante Nem, que tomou o controle do tráfico na Rocinha. Os policiais acreditam que ele está escondido em algum lugar da favela onde moram 100 mil pessoas.

O pano de fundo da situação é conhecido, afirma a reportagem, citando a impotência do governo local, mergulhado em casos de corrupção, falência do Estado, ausência de uma política de segurança pública e até o fracasso das UPP's, comandada por uma polícia desmoralizada e corrompida.

Mas o fato que desencadeou o conflito interno na Rocinha foi a prisão de Nem, em 2011, informa Le Figaro. O ex-líder do tráfico, condenado a 96 anos de prisão, se encontra em um presídio de segurança máxima no norte do país, a milhares de quilômetros do Rio.

Naturalmente, seu então homem de confiança, Rogério 157, tomou o controle do tráfico, mas dois anos depois decidiu trabalhar por conta própria, gerando um conflito com Danúbia, quarta esposa e "herdeira" de Nem.

Condenada a 28 anos de prisão por ser o elo entre o traficante preso e seus comparsas, Danúbia está foragida e provavelmente escondida no Complexo da Maré. No local, ela já foi casada duas vezes com traficantes que foram assassinados, por isso ficou conhecida como "Viúva Negra", um apelido que ela detesta, lembra Le Figaro.

Nesta guerra, Danúbia é protegida pela facção Terceiro Comando Puro (TCP), aliada dos Amigos dos Amigos (AdA). Já Rogério 157 se aproximou do Comando Vermelho, facção que domina o Rio de Janeiro e que está em guerra declarada com a principal organização criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC), originário de São Paulo que fornece armas e drogas aos Amigos dos Amigos.

Conclusão da reportagem do Le Figaro: "A guerra continua".

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