Ouvir Baixar Podcast
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 23/04 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 23/04 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 23/04 09h57 GMT
  • 09h36 - 09h57 GMT
    Programa 23/04 09h36 GMT
  • 09h30 - 09h36 GMT
    Jornal 23/04 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 22/04 15h27 GMT
  • 09h33 - 09h57 GMT
    Programa 22/04 09h33 GMT
  • 09h30 - 09h33 GMT
    Jornal 22/04 09h30 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.
Últimas notícias
  • Nasce o terceiro filho do príncipe William, da Inglaterra, e de sua esposa, Kate
Brasil

Sem mencionar Aécio, FHC fala de corrupção e diz que STF tem "decisão final"

media O ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso durante palestra no Wilson Center, em Washington, em 28 de setembro de 2017. Lígia Hougland

Durante uma palestra sobre corrupção realizada em Washington, Fernando Henrique Cardoso não mencionou o caso do presidente nacional licenciado do PSDB, senador Aécio Neves (MG). No entanto, o ex-chefe de Estado disse que o STF tem a decisão final no Brasil, pois é o guardião da Constituição.

Lígia Hougland, correspondente da RFI em Washington

Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira (28) que as instituições democráticas estão passando por uma crise global. “Mesmo nas regiões onde a democracia representativa é mais forte – as Américas e a Europa – suas instituições estão enfrentando um mau momento”, declarou o ex-presidente.

FHC acredita que no núcleo dos desafios atuais está a crescente disparidade entre as aspirações das pessoas e a capacidade das instituições políticas atenderem às exigências da sociedade. “O sistema político inteiro é visto como elitista, contaminado por corrupção, e ignorante das preocupações do dia a dia das pessoas”, disse FHC.

Aos 86 anos, o ex-presidente ofereceu uma análise aprofundada do impacto das transformações econômicas globais, em um evento promovido pelo Programa Latino Americano do Wilson Center. Embora o foco da apresentação de FHC fosse a América Latina e, mais especificamente, o Brasil, ele dedicou grande parte da palestra aos cenários políticos europeu e americano.

Segundo FHC, as tensões e os conflitos do mundo globalizado são determinados por um conjunto de disparidades diferentes daquelas antes da “revolução da informação”, e a globalização apresenta desafios não previstos. Cardoso lembrou que, há 20 anos, havia medo de que a globalização aumentaria a distância “entre o rico Norte e o pobre Sul”, mas isso não aconteceu, conforme indicam o papel da China no mundo e a redução da pobreza em diversos países sulinos. “Dentro de cada país rico há 'vencedores' e 'perdedores' da globalização”, disse Cardoso.

Macron na França: um “ativo”, não uma “ameaça”

Como exemplo desse novo ambiente global dividido entre os satisfeitos e os insatisfeitos com a globalização, FHC disse que as vitórias de Donald Trump na eleição presidencial americana e dos votos a favor da saída do Reino Unido da Comunidade Europeia são expressões da parte da população que tem um sentimento de perda pessoal profunda. Em contrapartida, segundo a análise de Cardoso, a eleição do presidente Emmanuel Macron, na França, foi atingida graças ao apoio massivo das cidades e regiões prósperas que veem a União Europeia como um ativo, não como uma ameaça.

O ex-presidente brasileiro não hesitou em distinguir os principais líderes atuais. Segundo FHC, a mensagem de Trump se baseia em “medo, raiva e ódio”, enquanto que a de Macron é inspirada em “esperança, competência e autoconfiança”.

Cardoso não deixou dúvidas de que, além de forte defensor da globalização, ele não vê com bons olhos o colonialismo do passado nem as barreiras severas à entrada de imigrantes em países de economia avançada. O ex-presidente disse que em uma “inesperada mudança na história”, árabes, mexicanos e africanos oriundos de regiões que “sofreram na era da expansão colonial-imperialista” agora são vistos como “bárbaros contemporâneos” quando querem ingressar em países como os Estados Unidos e a França. No entanto, Cardoso também lembrou que a internet – principal força propulsora da globalização – também serve para conectar células terroristas, fazer lavagem de dinheiro e capacitar piratas cibernéticos.

Outro aspecto observado por FHC da profunda transformação da sociedade contemporânea é a ênfase na política de identidade que, segundo elo, “desafia a política de classe, diferentemente das expectativas anteriores de que as diferenças econômicas e sociais prevaleceriam sobre as diferenças culturais e raciais”, disse o estadista.

Brasil

Ao falar de corrupção e da crise política brasileira, FHC disse que uma “cega ambição por manter o poder pelo mais tempo possível” preparou o caminho para a justificativa ideológica do financiamento ilegal do Partido dos Trabalhadores (PT) e seus supostos aliados”. Essa ambição, segundo ele, se tornou mais viável com a transformação do cenário político brasileiro nas últimas duas décadas.

 “A proliferação de partidos políticos, a transformação das campanhas eleitorais em “show business” dispendiosos, a corrupção pessoal de agentes políticos, a cumplicidade de empresas públicas  privadas levaram, por fim, a uma série sem fim de escândalos denunciados pelo Poder Judiciário e a imprensa”, disse Cardoso.

A empresa JBS foi indiretamente mencionada por FHC como exemplo de agente da corrupção na política nacional. “Na última campanha eleitoral, uma única empresa privada doou oficialmente cerca de USD 100 milhões. E essa mesma empresa (uma processadora e exportadora de carne) fez doações oficiais para diversos partidos, inclusive partidos da oposição”, disse o ex-presidente.

 FHC falou à audiência presente no Wilson Center que, apesar de estar dissertando sobre corrupção, ele não era acadêmico nem praticante de corrupção.  Ele também observou que os criminosos não se limitavam a líderes do PT, mas incluíam lideres de quase todos os partidos políticos do país.

No entanto, o ex-presidente destacou a resiliência das instituições brasileiras, citando especificamente a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário por terem agido com a autonomia e independência garantidas pela Constituição. “No passado, confrontados com uma crise como a atual, os brasileiros especularíamos sobre a atitude dos generais de quatro estrelas. Hoje, ninguém sabe o nome dos generais, enquanto que todo mundo sabe quem são os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF)”, disse Cardoso.

 Ainda na quinta-feira, FHC será um dos homenageados do Wilson Center em um evento que será realizado no Museu Nacional de História Natural.

Sobre o mesmo assunto
 
O tempo de conexão expirou.