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"China é desconhecida do brasileiro", afirma presidente da Apex

Por
 
O presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe. Divulgação Apex

O presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, participa de um seminário para 360 empresários em Pequim. Durante sua passagem pelo país, ele falou da nova estratégia brasileira destinada a atrair a China para o programa de privatizações. 

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim, direto de Xiamen

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) está criando uma ofensiva para buscar novos investimentos e conquistar o mercado chinês. O Brasil ainda vende mais do que compra para o país asiático e a maior parte dos produtos brasileiros que chegam à China são commodities.  A Apex criou um núcleo só para se dedicar à China e está usando os setores comerciais das embaixadas brasileiras. Em entrevista à RFI, o presidente da Apex fala dos desafios para os empresários. 

RFI: Qual o potencial de novos negócios com a China?

Roberto Jaguaribe: No momento nós achamos que a relação com a China é de grande relevância para o Brasil. Desde 2009, a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Esse ano está havendo um dinamismo muito especial no comércio. Há uma ampliação significativa em geral do comércio exterior do Brasil, mas, particularmente com os chineses, a ponto em que a China seja destino de quase 25% das nossas exportações. Mas apesar desse dinamismo, na minha leitura pessoal, a grande questão que temos que fazer agora, inclusive em função da demanda do Brasil, é buscar a atração de investimentos. E a China transformou-se num dos grandes atores globais nos últimos anos. Mas os investimentos do Brasil são em geral feitos pelas grandes empresas voltadas para áreas de crucial relevância. China, como sabemos, tem permanente visão estratégica e os investimentos que são orientados pelo Estado. É um país com muitas particularidades, uma grande economia. Tem muitas demandas em energia, insumos minerais e agrícolas.

RFI: O presidente brasileiro Michel Temer apresentou um pacote de 57 privatizações para os chineses. Essa é a prioridade da Apex?

RJ: O Brasil está com um programa muito ambicioso, sobretudo na área de infraestrutura, onde você tem um impacto muito grande na produção agrícola, porque o principal afetado pelas deficiências logísticas no Brasil é o próprio setor agrícola. Então, o foco é voltado para as concessões do setor elétrico, as concessões futuras no setor de transportes, as ferrovias, onde a China tem competência estabelecida, e um potencial de ser um ator cada vez mais relevante no Brasil.

RFI: A Apex está mudando a maneira de atuação. Qual é a estratégia agora?

RJ: A China requer uma atenção especial não apenas por sua dimensão, mas também porque a China não será nunca um país auto-suficiente. E as lacunas de auto-suficiência que a China tem são em setores produtivos em que o Brasil é provavelmente o mais bem situado para suprir com tranquilidade as demandas chinesas. Esse núcleo é importante porque a China é uma desconhecida do Brasil. A desenvoltura do empresário brasileiro na China é muito relativa. E a Apex tem que se aparelhar para ajudar o setor produtivo brasileiro a entender melhor essas oportunidades e aproveitá-las.

RFI: Qual é o trabalho desse núcleo China?

RJ: Nós criamos dentro da Apex um núcleo China, voltado para buscar um entendimento maior sobre a China. A China não é um país auto-suficiente, e não vai ser. E demandas de fora são muito dirigidas para áreas que o Brasil pode ser um grande provedor. E o Brasil não conhece nada sobre a China. É por isso que criamos o núcleo China. É preciso entender melhor e traduzir o país para os investidores. Há muitas possibilidades, mas não as conhecemos.


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