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Brasil

OCDE projeta crescimento de 0,7% para o Brasil este ano

media Navio é carregado com soja em terminal graneleiro de Santarém, no rio Tapajós, no Pará Divulgação

A economia global está a caminho de registrar em 2017 a expansão mais forte em 6 anos, já que o comércio ajuda a compensar o cenário fraco nos Estados Unidos, segundo relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) publicado nesta quarta-feira (7).  Para o Brasil, a entidade projeta um crescimento de 0,7% este ano, contra 0% estimado em março, e também melhorou a perspectiva para 2018 em 0,1 ponto percentual, para 1,6%.

“A economia brasileira está finalmente emergindo de uma recessão severa e prolongada. Mas a recuperação deve ser fraca e lenta. A confiança dos consumidores e das empresas está aumentando, e a exportação agrícola começou o ano com grande força”, diz o relatório.

“No entanto, o desemprego deve começar a diminuir apenas no final deste ano e continuar a cair gradualmente. A inflação tem caído significativamente, em parte devido à baixa demanda, e deve fechar o ano abaixo da meta de 4,5%. Já as desigualdades permanecem grandes.”

Segundo o relatório, “implementar a planejada reforma da Previdência é crucial para assegurar a sustentabilidade das finanças públicas”. “Um sistema de aposentadoria sustentável é parte do pacote para tornar o crescimento mais inclusivo, junto com uma reorientação dos gastos sociais em direção a instrumentos mais efetivos, como a transferência de renda condicionada.”

Para a entidade, devido às recentes revelações de corrupção, é necessário implantar medidas mais efetivas para combater as ilegalidades e melhorar a governabilidade.

Economia global

A economia global deve crescer 3,5% este ano e 3,6% em 2018, de acordo com as estimativas, que atualizam as projeções feitas no relatório anterior “Cenário Econômico”.

Essa estimativa para 2017 representa não apenas uma ligeira melhora na comparação com a projeção de março de crescimento de 3,3%, mas também seria o melhor desempenho desde 2011.

Mas apesar do cenário global melhor, o crescimento ficará abaixo das taxas vistas antes da crise financeira de 2008-2009, destacou o secretário geral da OCDE, Angel Gurria.

"Tudo é relativo. O que eu não gostaria que fizéssemos é comemorar o fato de que de que estamos passando de muito ruim para fraco", disse Gurria em entrevista.

"Não significa que temos que nos acostumar com isso ou viver com isso. Temos que continuar nos empenhando para fazer melhor", acrescentou.

Embora a recuperação do comércio e dos fluxos de investimento sustente a melhora do cenário econômico, Gurria disse que barreiras na forma de protecionismo e regulações precisam ser suspensas para garantir uma expansão mais forte.

Desigualdade de renda

A melhora também não será suficiente para satisfazer as expectativas das pessoas de melhores padrões de vida e para reduzir a desigualdade de renda, disse ele.

A OCDE vê melhora do cenário global mesmo tendo reduzido suas estimativas para os Estados Unidos, ainda que o dólar mais fraco tenha ampliado as exportações e os cortes de impostos sustentem os gastos das famílias e o investimento empresarial.

A organização projeta crescimento dos EUA de 2,1% este ano e de 2,4% no próximo, contra estimativas em março de 2,4% e 2,8% respectivamente.

A economista-chefe da OCDE, Catherine Mann, atribuiu essa redução a atrasos no avanço pela administração Trump dos cortes tributários planejados e nos gastos com infraestrutura.

A cenário mais fraco para os EUA foi compensado por perspectivas ligeiramente melhores para a zona do euro, Japão e China.

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