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Brasil

Permanência de Temer agrava crise econômica, diz historiadora francesa

media A historiadora Armelle Enders. Arquivo pessoal

Historiadoras francesas especializadas em política brasileira consideram difícil o presidente Michel Temer (PMDB) se manter no cargo após o empresário Joesley Batista, dono da JBS, revelar que gravou uma conversa de Temer dando aval ao pagamento de propina ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

Para Maud Chirio, professora de História Contemporânea e especialista em Brasil na Universidade Paris Est Marne-la-Vallée, "as acusações são extremamente graves, comprovadas, filmadas e gravadas". Ela nota que a grande mídia, que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, "parece estar se voltando contra o governo, pois foram o jornal O Globo e o Jornal Nacional que revelaram o escândalo", destaca a especialista, para quem a única saída à crise política são as eleições diretas.

Na mesma linha, Armelle Enders, professora de História Contemporânea da Universidade Paris Sorbonne, pensa que a permanência prolongada de Temer só vai agravar a crise econômica. Ela argumenta que o apoio a Temer vinha da elite empresarial, que cobra reformas. "Agora, ele não terá mais capacidade de adotá-las no Congresso", afirma. A professora ressalta que a economia brasileira vinha saindo da recessão e volta a ficar ameaçada de queda. "As possibilidades de Temer se manter são fracas", conclui a historiadora.

A brasilianista Maud Chirio é historiadora e professora da universidade Paris-Est Marne-la-Vallée. Arquivo pessoal

Caso Temer renuncie ou seja afastado do cargo, a cúpula no poder em Brasília fará tudo para sobreviver, na opinião de Maud Chirio. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), poderá assumir, como está previsto na linha sucessória, para organizar no prazo de 30 dias a eleição indireta de um novo presidente. "Mas como Maia também é alvo de dois inquéritos na Lava Jato, nesse momento ficará comprovado para a população que esse grupo também é corrupto e só pensa em se perpetuar no poder", acredita Chirio. Ela tem dúvidas sobre uma eventual mobilização nas ruas. "Para defender os direitos sociais retirados com a reforma trabalhista houve uma mobilização importante, mas para a questão política ainda é imprevisível", avalia.

Eleições diretas: alternativa mais democrática

A convocação de eleições diretas antecipadas seria a alternativa mais democrática, segundo as duas especialistas, mas a medida depende da aprovação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição). "Os maiores partidos não querem eleições diretas e ninguém sabe o que poderia sair das urnas", observa Armelle Enders, da Sorbonne, sem falar que isso não resolveria o problema do Congresso, acrescenta.

"A situação está muito nebulosa. Lula poderia ser beneficiado, mas ele tem forte rejeição na classe média e alta. Tem ainda aventureiros como o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ)", destaca. "Provavelmente, haverá um acordo entre as lideranças no Congresso, mas ninguém sabe ainda o que fazer", estima a professora.

"Luta contra corrupção não é programa de governo"

Maud Chirio e Armelle Enders veem aspectos positivos na atuação do poder Judiciário brasileiro no combate à corrupção, mas consideram que juízes e procuradores não devem extrapolar suas funções e ocupar o espaço político "em nome de uma suposta moralidade e competência técnica".

"Era preciso revelar a corrupção, mas o problema é que parte do Judiciário está atuando como uma força política pura", nota Chirio. "Estão criando a imagem de uma corporação superior aos outros poderes, que lembra o que os militares e as Forças Armadas fizeram no passado, nutrindo o sentimento que cabe a eles exercer um papel de intervenção excepcional, uma vez que a classe política perdeu sua legitimidade", explica. Na avaliação da historiadora, o necessário nesse momento é continuar criando alternativas dentro das regras democráticas.

Armelle Enders lembra que "o Judiciário também está envolvido de uma maneira ou de outra na corrupção", como demonstra a prisão nesta quinta-feira (18) do procurador da República Ângelo Goulart Villela, acusado de corrupção no âmbito da Operação Greenfield da Polícia Federal. "A maneira como a Lava Jato está sendo conduzida é pouco respeitosa em relação a alguns direitos e pode acabar num beco sem saída. A luta contra a corrupção não é um programa para governar o Brasil. Tem de haver um plano para a economia, para a sociedade. Se o Judiciário age como justiceiro, é um desvio grave para a democracia", conclui.

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