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Brasil

Le Monde homenageia Antonio Candido: "inventor da crítica literária moderna"

media Antonio Candido ganha homenagem do jornal Le Monde Wikipedia

O professor, sociólogo e crítico literário carioca Antonio Candido, que morreu na sexta-feira (12) aos 98 anos, ganhou uma bela homenagem na edição desta quinta-feira (18) do jornal vespertino francês Le Monde. O texto é assinado pelo jornalista franco-brasileiro Paulo A. Paranaguá, que trabalha desde 2003 no diário e já publicou diversos livros, como “A Invenção do Cinema Brasileiro: Modernismo em Três Tempos” (2014).

O texto começa lembrando que Candido foi um dos “pilares” da Universidade de São Paulo (USP) e que “incarnava a influência francesa na intelligentsia brasileira, a institucionalização das vanguardas artísticas, a invenção da crítica literária moderna e a esperança de um socialismo democrático.”

Segundo o texto, “esse humanista de rara elegância se dizia um sobrevivente, um homem do passado”. “Ele era o último grande intelectual de uma geração que se dedicou à análise e à interpretação do Brasil.”

Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro, no dia 24 de julho de 1918, em uma família rica, que falava francês. Ele visitou Paris pela primeira vez aos 10 anos. Ele estudou filosofia na USP quando a universidade de elite, fundada em 1934, recebia professores franceses que ainda não haviam ganhado notoriedade, como Fernand Braudel, Claude Lévi-Strauss, Roger Bastide, Pierre Monbeig e Jean Maugüe.

Em entrevista ao Le Monde em 1997, Candido disse: “Foi a abertura para o mundo da cidade provinciana que São Paulo então era”. “Longe de ser ‘uma transição um pouco diletante entre o antigo e o novo Brasil', como ele dizia com modéstia, sua geração vai adotar, transmitir e retomar as aspirações do movimento modernista de 1922”, continua o texto.

Revista "Clima": ponte entre gerações

O jornalista conta que Candido e um grupo de estudantes, entre eles sua mulher, Gilda de Mello e Souza, e Paulo Emilio Sales Gomes, criaram a revista Clima (1941-1944), que fez a ponte entre a geração das vanguardas e um mundo universitário ainda incipiente.

A partir de 1943, Candido assumiu a crítica literária do jornal Folha da Manhã (antiga Folha de S. Paulo). “Tive a chance de ser crítico em uma época de esplendor da literatura brasileira”, disse Candido, em referência ao período em que viu surgir nomes como Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Joao Cabral de Melo Neto, Jorge Amado e Clarice Lispector.

Em 1956, com a criação do suplemento literário do jornal O Estado de São Paulo, as ideias do grupo Clima "brilharam e dotaram a metrópole industrial de modernidade cultural".

“Candido também foi figura importante no meio universitário, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Ele reinventa a história das letras brasileiras, com sua obra agora clássica 'Formação da Literatura Brasileira' (1959), que analisa a emergência de uma consciência nacional nas expressões que tomam distância da matriz portuguesa”, diz o texto do Le Monde.

Ele foi um dos iniciadores da teoria literária no Brasil, e sua contribuição se estende também às ciências sociais. Sua tese de doutorado em sociologia, “Os Parceiros do Rio Bonito” (1964), sobre os caipiras do interior do estado de São Paulo, continua sendo uma referência.

A obra “Ensaios de Literatura e de Sociologia” reflete essa dupla formação, assim como seu gosto eclético por Shakespeare, Dumas, Conrad, Kafka, Buzzati e Cavafy.

Oposição às ditaduras

"Professor adulado, ele contribui para a transformação da USP em um centro de excelência em estudos literários, ciências humanas, artes e cinema. Ele formou vários pesquisadores, como Roberto Schwarz, Walnice Nogueira Galvão, José Miguel Wisnik, Ismail Xavier e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Foi presidente da Cinemateca Brasileira."

Paranaguá lembra que Candido se opôs "às duas ditaduras brasileiras, a de Getúlio Vargas (1930-1945) e a militar (1964-1985)" e que, representante da esquerda democrática antistalinista, militou no Partido Socialista brasileiro do pós-guerra.

Em 1980, foi um dos membros fundadores do Partido dos Trabalhadores. Em 2011, foi aclamado na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) durante uma homenagem a Oswald Andrade (1890-1954),  autor do "Manifesto Antropofágico" de 1928.

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