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Brasil

Lula se fortalece para 2018 e oposição critica "cara de pau" do ex-presidente

media No fim da audiência, Lula conversou com militantes REUTERS/Rodolfo Buhrer

Para apoiadores, Lula se saiu bem em depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta quarta-feira (10) e aumentam as suas chances na disputa à Presidência em 2018. Críticos dizem que ex-presidente fez papel de vítima e jogou a culpa do episódio do tríplex em sua esposa Marisa Letícia, falecida em fevereiro.

Luciana Marques, correspondente da RFI em Brasília

A repercussão das quase cinco horas de depoimento do ex-presidente Lula à Justiça Federal do Paraná foi imediata. Na Câmara dos Deputados, parlamentares pararam os trabalhos para ouvir o que Lula falou ao juiz Sérgio Moro. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) disse à RFI que o depoimento foi firme e seguro. “Não acho que seja nenhum inocente, mas o ex-presidente Lula se saiu bem e vai conseguindo se manter na órbita do processo político-eleitoral para 2018, deixando aqueles que são adversários bastante assustados com seu desempenho e com essa possibilidade”, disse.

Já o deputado Alberto Fraga (DEM-DF) chamou Lula de “cara de pau” e disse que ele tentou jogar a culpa em cima de sua falecida esposa. “Agora tudo é culpa da dona Marisa?! A única que não pode mais se defender. Ele devia ter vergonha!”, declarou. O deputado federal Efraim Filho (DEM-PB) elogiou o interrogatório, que disse ter sido realizado “com base nos fatos, na lei e nas provas”. E criticou o ex-presidente: “O que resta a Lula é dramatizar, buscar papel de vítima.”

O deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR) criticou as manifestações de apoiadores do petista e disse que ele precisa responder aos processos na Justiça como qualquer cidadão brasileiro. “Já imaginaram se a partir de agora todo réu passe a levar para as portas dos tribunais toda a família e os amigos com o objetivo de pressionar o juiz? A atitude de Lula constrange a democracia e o juiz Sérgio Moro está sendo até muito paciente”.

Dilma defende Lula em palanque

Depois do depoimento, Lula seguiu para a Praça Santos Andrade, em Curitiba, onde discursou de um palanque para a multidão que o esperava. “Prestarei quantos depoimentos for necessário, porque se tem um ser humano que está em busca da verdade, sou eu”. E reiterou: “Eu não quero ser julgado por interpretações, eu quero ser julgado por provas”.

Assim como confirmou ao juiz Moro que seria candidato em 2018, Lula disse aos militantes que queria ser “julgado” pelo povo brasileiro, em alusão ao voto. A ex-presidente Dilma Rousseff também esteve no ato político e defendeu a candidatura de Lula. “A democracia exige que a gente não deixe dar estes golpes, principalmente quando eles querem inviabilizar por meios absurdos, injustos e de perseguição as condições de cidadania para que nosso querido ex-presidente Lula mais uma vez se coloque para ser aceito ou não, votado ou não pelo povo brasileiro”, afirmou Dilma.

Enquanto Lula e Dilma discursavam, os advogados falaram com a imprensa. O advogado Cristiano Zanin disse que ficou provado que Lula é inocente. “Ele esclareceu absolutamente tudo”, declarou. O advogado José Roberto Batochio completou: “A prova é nula, absolutamente inexistente. Zero. Não se encontra no comportamento do ex-presidente Lula qualquer fato que possa ser conceituado como delito”.

Durante o depoimento, Moro disse a Lula que não tem qualquer “desavença pessoal” em relação ao ex-presidente. “O que vai determinar o resultado desse processo, no final, são as provas que vão ser colecionadas e a lei”.

Lula diz que colocou “500 defeitos” no tríplex

No depoimento ao juiz Sérgio Moro, o ex-presidente desqualificou o tríplex em Guarujá, litoral de São Paulo, que disse ter visitado em fevereiro de 2014. “Coloquei 500 defeitos no apartamento”, afirmou. Segundo ele, o tríplex era “inutilizável”, por ser uma figura pública. “Só poderia ir naquela praia ou na segunda-feira ou em quarta-feira de cinzas”, declarou. Lula disse ainda que dona Marisa não gostava de praia e certamente queria o imóvel para fins de investimento. Também afirmou que o tríplex era “pequeno” para cinco filhos e oito netos.

“Nunca solicitei e nunca recebi apartamento”, completou. Lula também negou ter feito pedido de reforma no tríplex, mas disse que ele tinha defeitos na cozinha e escadas. O ex-presidente é acusado de ter sido beneficiado com o tríplex da construtora OAS em troca de vantagens em contratos com a Petrobras, diante de sua influência política.

Lula negou ainda que pediu a destruição de provas da Lava Jato: “Nunca aconteceu e nunca vai acontecer”. O ex-presidente confirmou a Moro sua intenção para 2018. “Estou dizendo em alto e bom som que vou querer ser candidato à Presidência da República outra vez”.

Lula deu respostas objetivas e em alguns momentos demonstrou hesitação, mexendo no bigode e nos óculos que estavam sob a mesa. O depoimento foi cordial – tanto Lula quanto Moro usaram a formalidade para tratar um ao outro. Lula estava com uma gravata com as cores do Brasil – a mesma que usou em depoimento em Brasília no dia 14 de março referente a outra ação.

A audiência começou às 14h18 e apenas integrantes do tribunal e as partes do processo puderam entrar na sala. Celulares foram proibidos e a imprensa ficou do lado de fora do prédio. A segurança foi bastante reforçada e a área isolada por grades. A polícia também foi acionada em outros pontos de Curitiba, inclusive onde houve protestos a favor da Lava Jato.

Rodeado de apoiadores e seguranças, Lula chegou ao prédio da Justiça Federal de Curitiba 15 minutos antes do horário previsto para o depoimento. Estava ao lado dos senadores do PT Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias e carregou uma bandeira do Brasil, entregue por manifestantes. Participaram do ato movimentos sociais, como MST e CUT, que gritaram “Lula guerreiro do povo brasileiro”. Ainda no aeroporto, quando chegou por volta de 10h, Lula foi recebido pela ex-presidente Dilma e por lideranças políticas.
 

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