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Brasil

Bolsa Família é uma proteção frágil para os pobres do Brasil, diz Le Monde

media Reprodução

O jornal francês Le Monde que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (4) traz uma longa reportagem sobre a crise econômica no Brasil. O vespertino explica como a recessão fez explodir o número de pessoas obrigadas a solicitar a Bolsa Família.

Em reportagem de página inteira, o jornal relata que a crise brutal de 2015 fez a população do país ganhar mais dois milhões de “novos pobres”. O fato de que 12 milhões de pessoas perderam seus empregos por causa da recessão é apontado como um dos principais fatores dessa precarização da população, ressalta o vespertino.

“Devorada por uma inflação de dois dígitos, a renda por habitante dos brasileiros despencou, em dois anos, mais de 9%”, analisa a correspondente do jornal em São Paulo. Diante desse contexto, “quase um quarto da população do Brasil vive graças ao Bolsa Família, esperando uma possível retomada da economia brasileira”, aponta o texto.

O jornal francês lembra que o programa de ajuda é visto como um sistema modelo que, segundo o Banco Mundial, tirou 28 milhões de brasileiros da miséria entre 2004 e 2014. Porém, a reportagem explica que o dispositivo, implementado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se tornou uma espécie de termômetro da pobreza. “O aumento do número de beneficiários dá uma ideia do tamanho da tragédia econômica vivida pelo Brasil, que até pouco tempo era a estrela dos países emergentes”, escreve a correspondente.

Le Monde relata que a situação preocupa o Banco Mundial. A instituição acena para um índice de pobreza que pode chegar a 9,8% da população, ou até 10,3%, se forem ouvidas as projeções mais pessimistas, e pede que o orçamento previsto para o Bolsa Família seja aumentado. Porém, o vespertino questiona se, diante do programa de austeridade e das reformas anunciadas pelo governo de Michel Temer, o sistema que beneficia atualmente 50 milhões de brasileiros, não será a vítima desse controle dos gastos públicos.

Após entrevistar vários economistas, a correspondente do jornal francês constata uma leve recuperação econômica, mas que ainda deve se confirmar nos próximos meses. No entanto, conclui a reportagem, mesmo que essa retomada econômica se concretize, a população ainda vai levar bastante tempo para senti-la concretamente. Segundo estudos divulgados pela imprensa brasileira e retomados pela correspondente do Le Monde, os brasileiros terão que esperar até 2023 para alcançar novamente o nível de vida que tinham em 2013.

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