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Brasil

Para ONU, Brasil permanecer 79° em Desenvolvimento Humano é "sinal de alerta"

media Mulheres, refugiados, imigrantes e minorias étnicas não têm acesso aos avanços dos países Javier Sagredo/PNUD

O Brasil se manteve na 79º posição no ranking de Desenvolvimento Humano divulgado nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que alertou sobre o impacto que as medidas de austeridade do presidente Michel Temer podem ter nos setores sociais mais vulneráveis.  

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) sintetiza as conquistas de 188 países em matéria de saúde, educação e nível de vida, levando em conta indicadores como a expectativa de vida ao nascer, a média de anos de escolaridade e a renda per capita. Os dados divulgados pelo PNUD correspondem a 2015. O Brasil se manteve em 79º no ranking mundial, liderado por Noruega, Austrália, Suíça, Alemanha e Dinamarca. Os últimos colocados são República Centro-Africana (188°) e Niger (187°).

Na América Latina, o Brasil está atrás do Chile (38º), Argentina (45º), Uruguai (54º), Panamá (60º), Costa Rica (66º), Cuba (68º), Venezuela (71º) e México (77º). O país, que está em recessão há mais de dois anos, teve uma contração do PIB de 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016.

O presidente Michel Temer impulsiona uma série de reformas econômicas estruturais para tentar recuperar a confiança dos mercados. Entre seus planos está uma mudança profunda no sistema previdenciário, que gera resistência em vários setores da sociedade. A presidência afirmou que os resultados do PNUD "ilustram a severidade da crise da qual apenas agora o país vai saindo". As mudanças impulsionadas pelo governo se refletirão "em uma melhoria" do IDH em suas próximas edições, assegura a nota.

Sinal de alerta para o Brasil de amanhã

Para os representantes do PNUD no Brasil, a estagnação do país no ranking acende uma "luz amarela" para o futuro. "A reforma da previdência parece necessária. Alguns fatos precisam ser melhorados para se ter um sistema mais justo, mas é preciso ter um olhar mais atento às pessoas com maior vulnerabilidade, para que elas não sejam penalizadas, especialmente os pequenos agricultores e as mulheres", afirmou Andréa Bolzon, coordenadora do relatório do IDH do Brasil.

A diretriz se alinha ao relatório mundial do PNUD apresentado em Estocolmo, que ressalta que, embora a humanidade tenha tido avanços espetaculares em matéria de desenvolvimento nos últimos 25 anos, as minorias étnicas, os refugiados, os imigrantes e as mulheres, estão sendo deixados à margem.
 

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