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Brasil

Para Heloisa Passos, ser mulher é se descobrir forte ante a discriminação

media A diretora de fotografia Heloisa Passos. DR

Neste Dia Internacional da Mulher, a entrevistada é a diretora de fotografia Heloisa Passos, que faz parte do pequeno círculo de profissionais femininas da área.

Difícil apresentar, em poucas palavras, uma das mais respeitadas diretoras de fotografia do cinema brasileiro. Posso contar que ela foi premiada em festivais como o Internacional do Rio, Gramado, Sundance. … e também citar alguns filmes; é dela a fotografia de “Amor?”, de João Jardim, e “Vou porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes. Heloísa também acaba de participar da mostra Generation na Berlinale deste ano como diretora de fotografia do já premiado também “Mulher do Pai”, da roteirista e diretora gaúcha Cristiana de Oliveira.

“Trabalhei mais que os colegas homens”

Este percurso bem sucedido, no entanto, não foi simples. Da escolha de um trabalho predominantemente masculino, até se impor na profissão, Helô, como é chamada pelos amigos, reconhece que teve que se esforçar muito mais do que os homens: “Como assistente de câmera, eu me encontrei, tinha que ser técnica, ser sensível e ter uma boa condição física para carregar aquele equipamento todo. Naquela época, tinha três ou quatro mulheres que trabalhavam com câmera no cinema brasileiro, e eu. Naquele momento eu não realizava, mas hoje, eu realizo claramente que tive que trabalhar bem mais que os colegas (homens) da minha geração para conquistar o meu lugar no cinema como diretora de fotografia, diretora e produtora. Isso me deixa forte, ser mulher é isso, nos descobrimos fortes no meio da discriminação vigente”, enfatiza a fotógrafa, ressaltando que o machismo e a discriminação com as mulheres imperavam nos anos 90 na cidade de São Paulo.

"Estamos sendo mais vistas”

Observando o atual universo cinematográfico nacional, vemos uma forte presença de talentosas diretoras. Isto significa que hoje as mulheres têm mais espaço na área do que antes? “Eu sempre fiz cinema, desde os 23 anos, então, estou envolvida há muito tempo com imagem e movimento, como assistente de direção, assistente de câmera, então acho que a gente, [as mulheres] sempre esteve presente. Eu estou falando de desejo, o cinema exige uma obsessão, o cinema exige uma vontade que vai além da própria vontade, você tem que querer muito fazer, não é só o cinema, mas a profissão que você gosta tem que fazer você querer conquistar o seu lugar”, ela reflete.

Heloisa lembra que, nos últimos anos, alguns filmes específicos abriram portas para as mulheres, citando “Que Horas Ela Volta?’, de Anna Muylaert, premiado na Berlinale de 2015. “Este exemplo veio agregar porque a gente já vem fazendo cinema há muitos anos. No fundo, a gente está conquistando um espaço que a gente já tem, só que estamos sendo mais vistas”, observa Heloisa, que é membro da Associação Brasileira da Fotografia há mais de quinze anos.

“Sinto que estamos num momento que a gente tem que agarrar, porque a gente vem querendo esse espaço e a gente tem esse espaço agora, e digo isso em termos de acolhimento, não só do público, mas em geral, do nosso trabalho, do trabalho das mulheres em ação, e em todos os departamentos do cinema”, diz.

“Ainda somos minoria”

No entanto, as disparidades continuam existindo, principalmente na área de Heloisa, a direção de fotografia: “Eu participo de um grupo nos Estados Unidos chamado IFC The 2%, isso quer dizer que há somente 2% de mulheres diretoras de fotografia no mercado americano.

Trabalhei no país durante seis anos, fizemos muitos documentários lá, então, somos minoria mesmo”, ela diz, lembrando que “quando nascemos, não temos a menor ideia de que no futuro breve seremos discriminadas porque nascemos mulheres”.

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