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Felipe Hirsch: “Esse é um momento muito importante para ser artista no Brasil”

Felipe Hirsch: “Esse é um momento muito importante para ser artista no Brasil”
 
O diretor de teatro Felipe Hirsch RFI

O diretor de teatro e cinema Felipe Hirsch está de passagem pela Europa em turnê com as peças Tragédia Latino Americana e a Comédia Latino Americana. Depois de passar pela Alemanha, ele apresenta o projeto no teatro São Luiz, em Lisboa, entre 1° e 5 de março.

Depois do sucesso de Puzzle, uma série de quatro peças encenadas entre 2013 e 2015, na qual Hirsch abordava as contradições da sociedade brasileira a partir da literatura nacional, o diretor se interessa pela América Latina, com dois espetáculos que misturam trechos de obras de escritores latino-americanos. “Temos autores de oito ou nove países da região, com poucos clássicos, mas muitos malditos, pois o melhor é descobrir esses autores, muitos deles desconhecidos na própria América Latina”. Entre os célebres, a lista conta com nomes como o chileno Roberto Bolaño, o argentino Salvador Benesdra, ou ainda os brasileiros Marcelo Quintanilha e Lima Barreto.

O resultado, que já havia conquistado os brasileiros, tem agradado no exterior, como mostrou o entusiasmo do público durante o Festival Adelante, na cidade alemã de Heidelberg, onde o espetáculo foi apresentado, nos dias 11 e 12 de fevereiro. “Eu esperava que as pessoas não ficassem até o final, pois é uma peça de quatro horas de duração. No entanto, a trupe voltou seis ou sete vezes ao palco, muito aplaudida.”

Hirsch, que confessa ter “uma veia anarquista juvenil”, transformou essa colcha de retalhos literária em um objeto dramatúrgico engajado. Ele considera, inclusive, que essa é a sua obra mais política, já que foi concebida em um momento de transição no Brasil. “As duas peças, mas também Puzzle, foram criadas com a rua fervendo”, lembra o diretor, em alusão aos primeiros protestos populares de 2013 e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, “o espetáculo passou a refletir a rua e a rua influenciou muito o espetáculo”.

O diretor também celebrou a mobilização da classe artística nos últimos meses, muito além de sua trupe: “É um momento muito importante para ser artista no Brasil. Nós perdemos há pouco tempo o ministério da Cultura e no Rio de Janeiro se perdeu a secretaria da Cultura. Mas a maneira de pensar e a força da classe em conjunto fez com que essa situação se revertesse”, analisa.

Ouça a entrevista completa clicando na foto acima ou assista o vídeo abaixo.

 
 


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