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Brasil

Heineken no encalço da AB InBev, após a compra da Brasil Kirin, diz Le Figaro

media Caixa de cerveja Heinaken em um supermercado. O grupo holandês anunciou na segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017, a compra da Kirin Brasil. REUTERS/Eric Gaillard/File Photo GLOBAL BUSINESS WEEK AHEAD PAC

O caderno econômico do Le Figaro desta terça-feira (14) destaca a reestruturação do mercado de cerveja no Brasil. A Heineken vai dobrar seu tamanho no país, informa o jornal. O grupo holandês, que estava isolado após a fusão da belgo-brasileira AB Inbev com a sul-africana SabMiller, resolver agir ao comprar a Kirin Brasil, dona da Schin, e está no encalço da líder do setor.

Pressionada, a Heineken comprou a filial da japonesa Kirin no Brasil, por € 664 milhões, cerca de R$ 2,2 bilhões. A recente megafusão entre a AB Inbev (das marcas Leffe, Budweiser, Stella Artois, Brahma, Antarctica...) e a SabMiller (Foster's, Miller, Coors...) redesenhou o mercado mundial da cerveja, obrigando o grupo holandês a reagir. A Heineken não quer mais ficar imprensada entre a todo poderosa n° 1 do mundo e as pequenas cervejarias regionais que ganham cada dia mais espaço, analisa o texto.

Graças à compra da filial da Kirin, anunciada na segunda-feira (13), ela vai quase dobrar sua participação no mercado brasileiro, passando de 9,6% para 17,8%, e passará a ser a número dois do setor no país. A Heineken vai destronar o grupo Petrópolis, que até agora ocupava o segundo lugar, atrás da AB Inbev, a líder absoluta, responsável por 67% das vendas de cervejas no Brasil, terceiro consumidor mundial de cerveja atrás da China e dos Estados Unidos.

Ocasião imperdível

Le Figaro diz que a ocasião para a compra era imperdível. As filiais das duas cervejarias no Brasil, país continente, são complementares geograficamente. Desde 2001, a Kirin, que controla a Schincariol e outras 12 marcas, estava muito bem implantada no Norte e no Nordeste do Brasil, regiões onde a Heineken tem pouca presença.

O grupo holandês aproveita todas as ocasiões para crescer. Já o grupo japonês Kirin Holdings Company quer concentrar suas atividades no sudeste asiático, sua área de influência natural. Sua saída do Brasil, onde o mercado está em queda de 3%, é estratégica.

Pela primeira vez em sua história, o grupo terminou o exercício de 2015 no vermelho, devido ao péssimo resultado financeiro no Brasil. Em comunicado, a direção justifica a decisão afirmando ter concluído que "seria difícil transformar a filial brasileira em uma atividade rentável" que ajudasse o grupo a se recuperar. Os astros estavam alinhados para que o grupo vendesse sua filial para a Heineken, conclui Le Figaro.

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