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Brasil

Giovanna Grossi é a primeira brasileira a disputar final do Bocuse d’Or

media A chef alagoana Giovanna Grossi representa o Brasil no Bocuse d'Or. © Photos Henrique Pontual/ Flickr Bocuse d'or Brasil 2015

Ela tem apenas 24 anos e chega quebrando tabus à final internacional da 30ª edição do Bocuse d’Or, em Lyon, no sudeste da França. A alagoana Giovanna Grossi é a primeira brasileira a disputar a última etapa deste que é o maior concurso gastronômico do mundo, no qual ela pode se sagrar a melhor chef do planeta.

Daniella Franco, enviada especial da RFI a Lyon

“A cozinha profissional ainda é um mundo muito machista. Nos trinta anos de história do Bocuse d’Or, apenas uma mulher foi vencedora. Há muitas poucas candidatas mulheres. Então, esse é um desafio muito legal para mim”, disse Giovanna Grossi, em entrevista à RFI.

De fato, nesta edição final do concurso, entre os 24 candidatos, a ala feminina é representada apenas pela chef brasileira e pela cozinheira uruguaia Jessika Ton. Entre os membros do júri, não há nenhuma mulher. “A tradição faz com que as mulheres acabem desistindo, talvez nem se inscrevendo, acreditando que não são capazes. Por isso é importante estar aqui e fazer diferença”, reitera.

A alagoana espera que a sua participação incentive mais chefs mulheres a participarem do concurso. “Na torcida, há pessoas do mundo inteiro. E, às vezes, tudo o que se precisa é de um empurrãozinho. Espero que as pessoas vejam que não é impossível. É verdade que chegar à final do Bocuse d’Or é muito esforço e trabalho. Mas quando a gente quer, consegue”, enfatiza.

Dedicação e esforço

De fato, dedicação e muito esforço não faltaram na jovem carreira da alagoana. Giovanna se formou em gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Em seguida, rumou para a Europa, onde estudou no célebre Institut Paul Bocuse, em Lyon, que leva o nome do criador do concurso. Trabalhou em restaurantes renomados na França, antes de embarcar em uma nova aventura: uma formação no Basque Culinary Center, na Espanha. Foi em terras espanholas que a alagoana resolveu se inscrever no Bocuse d’Or. Quando recebeu a resposta positiva para a seleção no Brasil, voltou para o país para dar ínicio à preparação.

A partir daí, os dias de trabalho intenso se intercalaram com os de vitórias. O treinamento foi realizado na Escola da Arte Culinária Laurent Suaudeau, pelo próprio chef francês e pelo chef Andrews Valentim, com o apoio de toda a equipe. Em outubro de 2015, a jovem chef venceu a etapa brasileira do concurso. Em fevereiro de 2016, foi a vez de Giovanna levar o troféu da seleção latino-americana do Bocuse d’Or. Desde então, foram longos meses de treinamento e um trabalho de 8 horas por dia, ao qual não faltou dedicação e muita determinação por parte da cozinheira e da equipe de Suaudeau, presidente do Bocuse d’Or Brasil.

Bandeira do Brasil no coração

Suaudeau, por sinal, não poupa elogios à chef alagoana. “Ela é uma moça muito comprometida, focada e apaixonada pelo que faz. Responsável, nunca faltou a um treinamento e leva no coração a bandeira do Brasil”, ressalta.

À RFI, o chef francês relembrou que, há cerca de 15 anos, declarou em uma entrevista que, no futuro, os grandes chefs do Brasil seriam mulheres. A previsão, segundo ele, está se concretizando. “Posso dizer que a Giovanna faz parte desse grupo de chefs mulheres que estão chegando para chacoalhar a gastronomia brasileira”, completa.

Já o coach de Giovanna no Bocuse d’Or, Victor Vasconcellos, acredita que é importante quebrar tabus em um universo tradicionalmente masculino que é a gastronomia, mas não pensa que a participação da cozinheira alagoana como a primeira mulher brasileira na final da renomada competição seja uma vitória. “Ela é uma cozinheira, independente de ser uma mulher. Isso não faz dela nem mais, nem menos. O importante para o concurso não é ser homem ou mulher, mas ter determinação, trabalhar muito e fazer bem feito. E tudo isso a Giovanna realmente faz.”

Vasconcellos não tem dúvidas que sua pupila vai tirar a experiência de letra nesta quarta-feira. “A Giovanna é muito determinada, se entregou de coração. Ela abriu mão de tudo, inclusive da vida pessoal para se dedicar a esse projeto. Além disso, ela é muito habilidosa, tem um gestual muito bonito na hora da preparação dos pratos, conta com uma bagagem cultural interessante que traz para suas receitas. Isso nos leva para a competição de uma forma bem diferenciada, com uma assinatura única”, avalia.

Uma assinatura que leva também uma boa dose de otimismo e harmonia. A apenas algumas horas de sua apresentação, Giovanna se define como “feliz e satisfeita” com o trabalho realizado junto a sua equipe. “Foram quatro meses de treinamentos intensos, não foi fácil, mas estou tranquila e acho que tudo vai correr bem”, conclui, com uma confiança e uma serenidade atípicas dos jovens candidatos do Bocuse d’Or.

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