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Brasil

Imprensa francesa publica análise de socióloga sobre situação nos presídios

media A socióloga Camila Caldeira Nunes Dias, professora da Universidade Federal do ABC Captura de vídeo

O massacre de 56 detentos em Manaus continua em destaque na imprensa francesa. O jornal Le Parisien e o site da revista L'Express publicam nesta sexta-feira (6) entrevista com a socióloga Camila Dias, professora da Universidade Federal do ABC e autora do livro "Primeiro Comando da Capital - Hegemonia nas prisões e monopólio da violência".

Na entrevista, a especialista afirma que o massacre foi uma "tragédia anunciada" devido às péssimas condições dos presídios e à falta de controle do Estado sobre o sistema penitenciário. Na terça-feira (3), a rádio France Inter já tinha divulgado um comentário de Camila Dias sobre o motim.

A guerra de facções que está por trás do massacre em Manaus não acabará a curto prazo, na avaliação da socióloga. Ela acusa as autoridades brasileiras de nada terem feito para impedir a rebelião, apontando, inclusive, uma certa conivência com a violência, por causa da "enorme quantidade de armas de fogo que foi vista em poder dos presos, em imagens que circularam pelas redes sociais". Há que se perguntar quais os interesses por trás dessa matança e quem está por trás desses interesses, para muito além dos presos que foram mortos, diz a socióloga.

Camila Dias considera a "guerra" entre facções uma consequência de uma política de encarceramento em massa que produz e amplifica as péssimas condições das prisões brasileiras. Num contexto de extrema precarização, falta de estrutura, de organização e de necessidade de proteção, o surgimento das facções é uma forma de sobrevivência por meio da qual os presos conseguem produzir ordem e estabilidade no seu cotidiano, na opinião da professora da Universidade Federal do ABC.

Segundo ela, para diminuir esses problemas, é preciso adotar políticas de médio e longo prazos que reduzam a vulnerabilidade de segmentos da população. Ela defende mais empenho na prevenção do que na repressão, a fim de reduzir as reclusões.

Facção atua em região estratégica para o narcotráfico

Na entrevista, ela refuta a tese de que a guerra pelo controle do narcotráfico se desloca das ruas para o interior dos presídios. "Acho que é um guerra que começa dentro dos presídios e que pode transbordar para as ruas. Mas ela é essencialmente e antes de tudo uma disputa dentro das prisões.

Ocorre que, no Brasil, os grupos que atuam de forma mais contundente na economia ilícita da droga, em sua distribuição nacional, são esses grupos que foram criados dentro das prisões e que têm nas prisões o seu centro de atuação", argumenta. "A presença e atuação desses grupos em locais estratégicos para a entrada de drogas ilícitas no Brasil pode ser um elemento importante nesta disputa, mas não é a origem deste problema, na minha visão", afirma.

Em relação à Família do Norte (FDN), que liderou a "vingança" contra o PCC, ela diz que a facção surgiu há 10 anos no estado do Amazonas e assim como os demais grupos, atua dentro e fora das prisões. "O lugar é bastante estratégico na economia da droga, especialmente por ser um das portas de entrada da cocaína" no Brasil.

Apesar da gravidade da situação, Camila Dias não acredita que o Brasil vá recriar a situação do México. "São contextos históricos, culturais, sociais, econômicos, geográficos e políticos muito diferentes. Os grupos brasileiros são diferentes dos grupos mexicanos. O mercado em que atuam, assim como a inserção deles na economia da droga são completamente distintos."

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