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Cenário brasileiro de crise em 2017 deixa em alerta países vizinhos

Por
Cenário brasileiro de crise em 2017 deixa em alerta países vizinhos
 
Cenário de crise deixa em alerta vizinhos e parceiros comerciais do Brasil. Leopoldo Silva

Novas delações que envolvem membros do Congresso, do Ministério e até o presidente Michel Temer. Uma queda-de-braço entre o Poder Judiciário e o Legislativo. Desgaste social e piora das perspectivas econômicas. Os países vizinhos, especialmente os do Mercosul, acendem o sinal de alerta e temem os efeitos na região de um agravamento da crise brasileira.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Quando perguntada pela RFI Brasil sobre como os países do Mercosul viam os novos desdobramentos da crise brasileira, a chanceler argentina, Susana Malcorra, admitiu que "todos os países do bloco estão à expectativa de um Brasil que volte a crescer, mas que todos os sinais vistos pelos economistas apontam a uma preocupação nesse sentido".

"Quando a economia do Brasil não cresce, tem um impacto direto sobre a nossa economia", concluiu a chanceler Malcorra.

A RFI Brasil, então, foi conversar com dois desses analistas, consultados regularmente pelo governo argentino, sobre as expectativas em relação ao Brasil e sobre os impactos na vizinhança de uma piora na previsão em 2017. O crescimento da economia brasileira inicialmente previsto em 2%, caiu para 1,6% depois e já desceu para 0,4%, segundo os analistas de mercado no Brasil e a própria Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL).

Crescimento nulo já é bom negócio

Para o ex-secretário argentino da Indústria, Dante Sica, diretor da consultoria ABECEB, especializada no comércio com o Brasil e com o Mercosul, os últimos episódios políticos que envolvem o presidente Michel Temer "revelaram a fragilidade da aliança de governo no Brasil e afetaram a confiança de investidores, mesmo quando o congelamento do gasto público ou a reforma da Previdência pudessem agradar".

"Claramente, há uma preocupação porque o Brasil é uma economia importante e tem forte incidência nos países do Mercosul, especialmente na Argentina, mas também no Uruguai e no Paraguai", observa Sica. "A melhor notícia que o Brasil nos poderia dar é que, no ano que vem, deixe de cair. Se, em 2017, o Brasil crescer 0% já é uma boa notícia para a região", contenta-se. "O problema é se, no ano que vem, nós nos enfrentarmos com um Brasil que continue sem encontrar o piso da crise", teme.

Argentina encolhe 2% devido ao "efeito Brasil"

A economia argentina deve crescer em 2017 entre 2,5 e 3,5%, segundo as consultorias DNI e ABECEB, respectivamente. O cálculo precisará ser refeito se o Brasil tiver nova contração econômica em 2017.

"É que a cada um ponto que o Brasil encolhe, a Argentina diminui 0,25", calcula Dante Sica. Nos últimos dois anos, a economia brasileira encolheu quase 8%. Isso fez a Argentina encolher em quase 2% só pelo "efeito Brasil".

O mais afetado é o setor industrial argentino, aquele que mais mão-de-obra emprega. As manufaturas argentinas que não são vendidas ao Brasil, não conseguem mercados alternativos. Além disso, várias indústrias estão divididas entre os dois países em cadeias integradas de produção. Quando um país produz menos, afeta o outro invariavelmente.

"Na Argentina, em diversos setores, existe preocupação com a evolução da crise política no Brasil. Sofrem os setores que mais exportam ao Brasil como o automotivo, mas também auto-peças, químicos, farmacêuticos, plásticos, máquinas e equipamentos. Incertezas no Brasil geram crise lá e aqui", avalia Marcelo Elizondo, diretor da consultoria Desenvolvimento de Negócios Internacionais (DNI).

Efeitos invisíveis

Marcelo Elizondo aponta ainda efeitos invisíveis da crise brasileira. Sem o Brasil, os esforços da Argentina em sair pelo mundo abrindo mercados são limitados.

"Acredito que o impacto da crise do Brasil na Argentina não somente acontece pelas cifras que temos à vista, mas também devido ao que está oculto e que não pode ser medido. Por exemplo: a Argentina precisa sair pelo mundo como parte do Mercosul e como sócia do Brasil. A Argentina tem uma importância no mundo como sócia do Brasil que é diferente da importância individual", compara.

Outros efeitos invisíveis da crise brasileira são os investimentos estrangeiros deixam de vir à Argentina porque veem o Mercosul como um todo. Também as empresas argentinas que deixam de investir porque não há negócios com o Brasil. Por último, as empresas brasileiras que deixam de investir na Argentina porque estão em situação de aperto no Brasil.

"E o Brasil é um dos principais responsáveis pelo investimento direto estrangeiro", destaca Elizondo, quem aponta ainda outro exemplo que não pode ser medido:

"A Argentina procura impulsionar o acordo comercial Mercosul-União Europeia. Isso teria muito mais força se o Brasil pudesse dedicar mais capital político às negociações. Mas hoje o Brasil está consumindo energia política com a sua crise interna. A Argentina não tem o sócio que poderia ter nas negociações com a União Europeia", lamenta.

Consequência política

Tudo isso num 2017 de eleições legislativas, cruciais para o presidente Mauricio Macri, em minoria num Congresso que se renova parcialmente em outubro. E o desempenho da economia argentina, dependente em boa parte do Brasil, seria o melhor cabo eleitoral.

"Está claro que, para o presidente Mauricio Macri, seria muito melhor ter um Brasil que voltasse a crescer confortavelmente. A crise no Brasil afeta decisões de negócios não somente para 2017, mas também a médio e longo prazos. Para o presidente Macri, teria sido melhor um Brasil florescente e resplandecente", conclui Elizondo da DNI.


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