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Brasil

Les Echos analisa as reformas do presidente Michel Temer

media O presidente brasileiro Michel Temer durante coletiva de imprensa em 22 de dezembro de 2016. REUTERS/Adriano Machado

Com o título “Brasil: Temer joga a carta das reformas”, o jornal francês Les Echos analisa as tentativas do presidente brasileiro para estabilizar o país neste fim de ano.

“Sem samba para a Presidência de Temer”, escreve Les Echos em sua edição impressa desta terça-feira. “A trilha sonora estaria mais para um réquiem”, completa o periódico, afirmando que 63% dos brasileiros pedem sua saída, segundo pesquisas. “Existe um pouco do [presidente francês] François Hollande nessa presidência, em termos de impopularidade, e um pouco do [premiê italiano] Mateo Renzi, por seu problema de legitimidade”, compara Les Echos, que afirma que Temer chegou ao poder sem ser eleito e depois de ter “puxado o tapete de sua própria presidente, Dilma Rousseff”. Em sua chamada, Les Echos afirma ainda que “o laço aperta” em torno do presidente no escândalo de corrupção da Odebrecht.

Enquanto isso, continua o jornal, “o país-continente de população jovem, festiva e tumultuosa se desespera”. “O carnaval vai chegar, mas o futuro não é radioso”, publica Les Echos, que afirma que a “lei-fetiche do presidente é de ter congelado as despesas públicas por 20 anos”. Em sua matéria, o jornal afirma que Michel Temer tem feito prova de um ativismo sem limites neste fim de ano. “Em dificuldade por causa de uma recessão mais resistente do que o previsto, sacudido por escândalos de corrupção, o presidente brasileiro multiplica os gestos para conseguir seus objetivos: pacificar o país, após uma longa crise institucional”.

Les Echos afirma que é no front das reformas que Michel Temer tem lutado. “Depois de ter lançado um programa de controle de despesas públicas e um projeto de reforma das aposentadorias, ele ataca outro símbolo: o código trabalhista. Segundo o advogado especialista em direito do trabalho, Mihoko Kimura, entrevistado pelo jornal, o código brasileiro é “de inspiração mussoliniana, destinado a proteger os trabalhadores”. “A ideia [da reforma] é de permitir aos atores sociais de negociar questões como o tempo de trabalho e outras sem se exporem a sanções de uma justiça do trabalho muito melindrosa”, publica o jornal.

Les Echos afirma que mesmo se a mudança possa abrir espaço para fortes contestações, segundo os juízes do Trabalho, "os empregadores buscam ter as mãos livres para contratar e demitir mais facilmente". "O grande aspecto positivo desta reforma é que ela não ameaça os direitos dos trabalhadores, mas oferece uma certa flexibilidade, o que é bom para os negócios", declarou o advogado Mihoko Kimura, entrevistado pelo jornal.

Les Echos termina sua análise dizendo que Michel Temer deseja refinar assim sua imagem de reformador. “Quanto à retomada econômica”, finaliza o jornal francês, “ela dependerá menos do governo do que do Banco Central, e da aceleração da baixa das taxas de juros, possibilitada pela queda da inflação”.
 

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