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Nova bienal pretende integrar o mundo à América do Sul

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Nova bienal pretende integrar o mundo à América do Sul
 
Diretor geral da Bienalsul e reitor da Universidade Tres de Febrero, Aníbal Jozami. Universidade Tres de Febrero

Uma nova Bienal está nascendo na América do Sul. Não apenas em uma cidade e nem em um único país, mas em mais de 30 cidades simultaneamente, em diversos países da América do Sul, da Europa, da África, da Oceania e até da Ásia. Embora aconteça em várias latitudes, a Bienalsur quer projetar a América do Sul no mundo e fazer da arte o mais eficaz elemento de integração regional.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O nome da nova Bienal já é, em si, pura arte: Bienalsur. Em português, Bienalsul. Mas em espanhol, o jogo de palavras também permite ler "Bem Ao Sul" (BienAlSur).

Não existem precedentes no mundo de uma Bienal Internacional de Arte Contemporânea organizada, não por uma única cidade ou por um único curador, mas a partir de uma universidade argentina, a Tres de Febrero. De de Buenos Aires e fora dos circuitos de curadores tradicionais, a Tres de Febrero convocou diversas universidades, curadores e artistas do mundo numa rede interconectada de arte.

Organização horizontal democratizou o acesso

Essa organização horizontal democratizou o acesso de artistas desconhecidos de 78 países diferentes que apresentaram 2.543 projetos, 300 deles brasileiros. Os trabalhos selecionados serão exibidos entre setembro e dezembro do ano que vem.

"Embora seja um projeto artístico, a Bienasul é mais política cultural do que artística. Tem mais a ver com a política internacional e com integração sul-americana porque vai contribuir para criar vínculos, relações e sinergias entre vários países", indica à RFI Brasil Aníbal Jozami, diretor geral da Bienalsul e reitor da universidade Tres de Febrero. "Creio que o ressurgimento dos nossos países tem a ver também com a arte e com a cultura", aposta.

Jozami baseia a sua análise nas memórias do francês Jean Monnet, um dos pais da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, embrião da atual União Europeia. "Jean Monnet revelou que a unificação da Europa teria sido mais eficiente se tivesse priorizado a integração cultural em vez de partir pelo carvão e pelo aço", conta Jozami.

Novo paradigma na arte

A Bienalsul será como várias bienais simultâneas e conectadas, como explica a brasileira Marlise Gonçalves, responsável pela logística dos trabalhos de um país para o outro. "É a primeira vez na história das bienais que vários países são promotores de uma iniciativa. A grande diferença desta Bienal é a organização a partir de uma universidade conectada com outras. Uma universidade tem outro papel na sociedade. A Tres de Febrero é apenas a catalizadora de toda essa organização", aponta.

E num mundo onde o discurso protecionista quer erguer muros e onde a arte parece restrita apenas aos entendidos, a Bienalsul quer estabelecer novos paradigmas. "A Bienalsul quer derrubar muros. Muros que não sejam somente regionais, muros de fronteiras, mas sobretudo muros na forma de pensar. É uma bienal que se propõe ser extremamente inclusiva para chegar a todos. Nesse sentido, propõe um diálogo horizontal entre as instituições, entre os artistas, onde eles possam se expressar livremente", descreve Marlise Gonçalves.

A brasileira Marlise Gonçalves, responsável pela logística dos trabalhos da Bienalsul. Universidade Tres de Febrero

Além dos artistas desconhecidos, foram convidadas pessoas de renome cujo trabalho gira em torno da temática de integração. É o caso, por exemplo, do fotógrafo iraniano Reza Deghati, que vai levar a sua arte às comunidades carentes de Buenos Aires e de Caracas através de oficinas de fotografia.

A arte sul-americana não está suficientemente representada nos museus e nas bibliotecas do mundo. Segundo Marlise Gonçalves, a Bienalsul pretende reverter essa situação. "Aqui não se trata de uma integração só regional. Nós costumamos dizer que a Bienalsul não é inter-regional; é também inter-global. Pretende incorporar todos os agentes culturais numa ação coletiva. O que está se fazendo a partir de Buenos Aires, e nisso o papel do Brasil é fundamental, é criar uma grande revolução no mundo da arte", acredita.

Dezenas de cidades vão exibir os trabalhos. A lista ainda está em formação. No Brasil, haverá cerca de 15 espaços de exibição, de museus a universidades, em São Paulo, no Rio de Janeiro e provavelmente em Minas Gerais, na Bahia e até no Mato Grosso.

Quem estiver num espaço brasileiro, poderá ver ao vivo o que acontece num espaço em Bogotá ou em Caracas, por exemplo. E qualquer pessoa poderá ter acesso aos trabalhos pelo mundo. Os organizadores pretendem incorporar a tecnologia da "Realidade Aumentada" através dos celulares. Uma espécie de "Pokémon Go", mas da arte sul-americana.
 


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