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Brasil

A "velha política" continua reinando em Brasília, diz Les Echos

media O jornal francês, Les Echos, informa hoje (29) que a nova crise política no Brasil ameaça o programa de reformas do presidente Michel Temer. Lula Marques / AGPT

Em sua edição desta terça-feira (29), o diário econômico francês Les Echos afirma que a nova crise política no Brasil, deflagrada com as denúncias do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero, que levaram à demissão de Geddel Vieira Lima, encarregado da articulação política do governo, ameaçam o presidente Michel Temer.

A reportagem explica que a nova crise no Executivo brasileiro começou quando Calero revelou ter sido pressionado por Geddel para que o Instituto do Patrimônio Histórico (Iphan), subordinado à sua pasta, aprovasse um projeto imobiliário em Salvador, onde o ex-ministro, "amigo de longa data do presidente", possui um apartamento.

Les Echos observa que o caso Geddel é a ilustração de que "a velha política, tão criticada pela população brasileira, após uma avalanche de escândalos de corrupção, continua reinando nos corredores do poder", em Brasília. O texto, assinado pelo correspondente em São Paulo, Thierry Ogier, lembra que Geddel é o sexto ministro de Temer a pedir demissão, no intervalo de seis meses, com a particularidade de ser "o segundo homem forte do governo".

Jornal vê reformas do governo Temer ameaçadas

No domingo (27), prossegue Les Echos, Temer tentou minimizar a repercussão negativa do caso afirmando ser contra qualquer tentativa de anistia de uso de caixa dois em campanhas políticas. "A oposição, porém, mesmo enfraquecida depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, pede a destituição do presidente por tráfico de influência", informa o jornal.

Em sua análise, Les Echos considera que um novo impeachment "tem poucas chances de ser aprovado na Câmara dos Deputados, onde Temer dispõe de ampla maioria". O que pode acontecer, segundo o diário, é que essa maioria, estimada em torno de 60% de parlamentares aliados do governo, sofra uma erosão, inviabilizando a aprovação das reformas estruturais que Temer tenta implementar. Seria o adeus à PEC do teto dos gastos públicos e a outras medidas para controlar o aumento da dívida brasileira e tranquilizar os investidores estrangeiros.

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