Ouvir Baixar Podcast
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 19/10 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 19/10 15h06 GMT
  • 15h00 - 15h06 GMT
    Jornal 19/10 15h00 GMT
  • 09h57 - 10h00 GMT
    Flash de notícias 19/10 09h57 GMT
  • 09h33 - 09h57 GMT
    Programa 19/10 09h33 GMT
  • 09h30 - 09h33 GMT
    Jornal 19/10 09h30 GMT
  • 15h27 - 15h30 GMT
    Flash de notícias 18/10 15h27 GMT
  • 15h06 - 15h27 GMT
    Programa 18/10 15h06 GMT
Para poder acessar todos os conteúdos multimídia, você deve instalar o plugin Flash no seu navegador. Para se conectar, você deve ativar os cookies nas configurações do navegador. O site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e +.
Brasil

"Nada foi resolvido" um ano após tragédia de Mariana, diz revista francesa

media Bento Rodrigues, no município de Mariana, alguns dias após o rompimento da barragem da Mineradora Samarco 19/11/2015. Rogério Alves/TV Senado

Um ano após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), a imprensa francesa fez ao longo da última semana um balanço das consequências da maior catástrofe ambiental da história do Brasil. Para a revista Le Point, "nada foi resolvido para as famílias que moravam perto da barragem". "Elas aguardam até hoje para serem realojadas", diz a publicação.

Em uma reportagem com informações da agência AFP, a revista Le Point nota com ironia que cartazes nos arredores de Mariana exibem operários sorridentes ao lado do slogan "comunique-se de maneira positiva". Porém, segundo a revista, "um ano após a catástrofe da Samarco, a barragem de dois gigantes do minério, a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, há muito pouco para comunicar".

No dia 5 de novembro de 2015, a Barragem de Fundão cedeu abruptamente, liberando 32 milhões de metros cúbicos de lama e resíduos minerais vale abaixo, soterrando o distrito próximo de Bento Rodrigues antes de continuar um caminho de destruição até o oceano, a 640 quilômetros de distância. Dezenove pessoas morreram na tragédia, mineiros e habitantes.

Álvaro Pereira, da fundaçãoRenova, um organismo criado pela Samarco para coordenar a assistência aos sinistrados, declara que 8.000 famílias ribeirinhas do rio Doce recebem uma indenização de emergência da empresa, para compensar o fim da pesca e do turismo na região. "Porém, os que moravam perto da barragem perderam tudo. São 236 famílias de Bento Rodigues e 108 que foram transferidas para Paracatu", destaca o texto. 

Sala de monitoramento "chega tarde"

A AFP informa que a Samarco organizou uma visita para jornalistas em sua nova sala de monitoramento das atividades de mineração na região, mas considera que a estrutura "chegou tarde".

"Rodeado por enormes telas e monitores, um grupo de especialistas vigia noite e dia qualquer risco de acidente nas barragens das explorações de minério de ferro da Samarco em Minas Gerais. Prevenir, sem dúvida, é melhor do que remediar. O problema é que essa impressionante estrutura tecnológica ainda não existia quando a Barragem de Fundão se rompeu, há um ano, provocando uma avalanche de lama e rejeitos de minério."

O promotor de Justiça de Mariana, Guilherme de Sá Meneghin, disse à AFP que ele considera que a falta de equipamentos de alerta para casos de emergência "era o pior de tudo". Ao apresentar as acusações de homicídio contra 21 pessoas, no mês passado, incluindo executivos da Samarco, Vale e BHP, os promotores alegaram que "a segurança tinha uma importância secundária" em relação aos lucros.

As três empresas rejeitam todas as acusações, insistindo em que o colapso da Barragem de Fundão foi um acidente insólito e impossível de ser controlado. Um ex-morador de Bento Rodrigues, Antonio Geraldo Santos, confirma que não recebeu nenhum sinal de alerta. "Não houve nenhum aviso, nada", disse o homem de 33 anos. "As pessoas simplesmente tiveram que correr para salvar suas vidas".

Imagens mostram tragédia "congelada" em Paracatu

Outra revista semanal francesa, a L'Obs, publica uma comovente reportagem fotográfica feita em outubro, em Paracatu. Os vestígios da tragédia estão em toda parte: nas casas destruídas, no barro que cobre cadeiras e objetos pessoais dos antigos moradores, na mata à beira do rio Doce, onde os troncos das árvores trazem as marcas do tsunami de lama. A igreja de Paracatu, com lama até a metade da fachada, dá uma noção da extensão do desastre.  

Onde estão as casas?

A revista L'Express também se interroga sobre onde estão as casas prometidas às famílias que ficaram desabrigadas. "O maior compromisso assumido pela Samarco era de reconstruir Bento Rodrigues e Paracatu, mas até hoje nenhum tijolo saiu do chão. Só uma placa com a inscrição "Nova Bento" foi colocada no meio de uma floresta, que abriga borboletas, aves e ninhos de cupim."

 

Sobre o mesmo assunto
 
O tempo de conexão expirou.