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Brasil

Possível vitória de Trump seria um risco para o Brasil?

media Donald Trump fez poucas propostas de política externa durante sua campanha REUTERS/Carlo Allegri

A possível vitória de Donald Trump na corrida presidencial é um assunto cada vez mais tratado fora das fronteiras dos Estados Unidos. Pois apesar de ter evitado abordar poucos temas internacionais durante a campanha, o republicano já deu alguns indícios de sua política externa, que poderiam ter um impacto direto nos vizinhos do continente, inclusive para o Brasil.

A menos de uma semana das eleições presidenciais norte-americanas, a vitória de Hillary Clinton, que parecia uma evidência durante praticamente toda a campanha, tem se mostrado mais incerta, principalmente após a aproximação de Trump da democrata na reta final do pleito, segundo as pesquisas de intenção de voto. Com isso, as posições do republicano em termos de política externa, que nem sempre eram levadas à sério, começam a ser vistas com mais atenção fora do país.

Com exceção de suas declarações polêmicas sobre a imigração, com a ameaça de deportar 11 milhões de clandestinos caso fosse eleito, além de anunciar o projeto de construir um muro na fronteira com o México, o republicano praticamente não abordou a relação que os Estados Unidos teriam com o resto do mundo caso ele seja eleito presidente do país na próxima terça-feira (8). Até mesmo os rumores de sua amizade com o russo Vladimir Putin foram abafados nos últimos meses. No entanto, mesmo se o tema não está no centro da campanha, “Trump sempre adota posições unilaterais, expressando desconfiança à tradicional diplomacia multilateral e desprezo pelas instituições como as Nações Unidas, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial”, o que já dá o tom de sua postura no âmbito internacional, ressalta o cientista político William C. Smith, professor sênior da Universidade de Miami.

Seguindo essa linha, “no caso da América Latina, podemos supor que uma administração Trump não teria muito interesse ou paciência para com a Unasul e outras instâncias regionais”, analisa o especialista. “O mesmo vale para a agenda de segurança, com declarações que despertam desconfiança no que diz respeito ao sistema de alianças estratégicas baseado na Otan, ou nas garantias de segurança com o Japão ou com a Coreia do Sul.”

Protecionismo de Trump pode prejudicar o Brasil?

Do lado da economia externa, a postura de Trump também divide. Principalmente por causa da guinada do candidato que, ao contrário da tradição de seu partido, que sempre defendeu o livre-comércio, tem se mostrado muito mais protecionista, ao ponto de cogitar renegociar os acordos comerciais firmados pelos EUA. Diante da situação, alguns empresários brasileiros estão atentos, esperando “para saber como fica o quadro, já que, além da Casa Branca, também estão em jogo dois terços do Senado e a totalidade da Câmara”, comenta Carlo Barbieri, presidente da Oxford USA, consultoria especializada em acompanhar empresários brasileiros nos Estados Unidos.

Mesmo se ele não acredita em uma possível chegada de Trump ao poder, Barbieri estima que essa hipótese não representaria um risco para o Brasil. “O discurso protecionista é claramente dirigido a países asiáticos, em particular a China”, analisa. Para ele, “Trump é uma pessoa pragmática, um empresário. O Brasil seria um grande parceiro alternativo ao México, à Venezuela e mesmo ao Canadá”, defende.

Empresários brasileiros devem se preocupar com Trump ?

Um cenário que não convence o professor da Universidade de Miami. “O Brasil poderia ser duramente atingido por uma possível recessão global exacerbada por uma erosão da cooperação internacional e um declínio da capacidade de governança. Para economias como a brasileira, que dependem dos fluxos de capital e da demanda de seus principais produtos de exportação, os impactos seriam bastante preocupantes”, analisa Smith.

Além disso, o atual contexto brasileiro, com um governo de Michel Temer que, ao contrário de Dilma Rousseff, está mais alinhado com os Estados Unidos do que com os vizinhos latino-americanos, poderia dar ao Brasil uma ilusão de vantagem diante da conjuntura. “No entanto, o fato de nenhum dirigente das maiores companhias ou dos grandes bancos nos Estados Unidos ter manifestado apoio a Trump, e que a maioria dos economistas, tanto conservadores como progressistas, se opõem ao republicano, deveria ser motivo de alerta para Temer, para o ministro das Relações Exteriores, José Serra, para a FIESP e outros atores importantes da elite política e econômica no Brasil”, adverte o professor. “Um cenário de crescentes tensões comerciais, com maior turbulência e volatilidade nos mercados financeiros, que poderiam ser disparadas por uma virada protecionista, logicamente não deixaria o Brasil imune”, adverte o cientista político. 

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