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Muito além do bife de soja: conheça o maior mercado vegano de Paris

Muito além do bife de soja: conheça o maior mercado vegano de Paris
 
Cães e gatos também podem ser veganos. RFI

Foi-se o tempo em que, para ter uma alimentação vegana, era preciso limitar o cardápio a salada, legumes e cereais. O movimento, que prega a rejeição completa de qualquer tipo de produto de origem animal, inclusive o mel, ganha força na Europa. Hoje, abolir os animais do cardápio não precisa mais ser um sacrifício: a oferta de produtos vai de diversos tipos de falsos queijos e carnes a especialidades asiáticas, molhos prontos, doces e cosméticos.

No maior mercado especializado de Paris, a gama de produtos surpreende quem não imaginava que o setor já estava tão desenvolvido – até os bichos de estimação podem entrar na nova dieta, com ração vegana. Un Monde Vegan abriu há quatro anos e hoje tem três lojas na França. A RFI visitou a instalada no bairro do Marais.

“Gosto muito de falafel e vejo que há uma grande variedade aqui. Por que não testar? Estou olhando tudo há um bom tempo”, comenta a estudante Myrian, de 23 anos. “Eu já testei o ‘fauxmage’ [amálgama de “faux”, que significa falso, e “fromage”, queijo] e é bem bom. Foi surpreendente. Provei o falso cheddar e achei que o gosto se parece bastante com o original.”

Falso queijo: porta de entrada ao veganismo

O queijo costuma ser uma porta de entrada para os franceses que querem experimentar o veganismo, mas não se sentem capazes de abandonar um dos produtos mais tradicionais do país. Quem passa no teste do queijo não vê muitas barreiras para seguir sem os ingredientes de origem animal, como leite, ovos e a carne.

“O queijo é um produto importante para as pessoas que querem fazer a transição para o veganismo e passar para uma alimentação vegetal”, explica Steve Parmentier, um dos diretores da loja. “Temos muitas opções atualmente: marcas alemãs, inglesas, gregas. Mas ainda temos poucos queijos tipicamente franceses.”

Ele afirma que o mercado é muito frequentado por turistas estrangeiros, que não encontram uma variedade tão grande de produtos deste gênero nos seus países. As possibilidades de compostos vegetais evoluíram muito nos últimos cinco anos, uma mudança que o próprio Steve pôde constatar, por ser vegano há uma década.

Churrasco de carne vegetal

Os produtos análogos à carne costumam fazer sucesso: são prateleiras e mais prateleiras de diferentes tipos de bifes, salsichas, linguiças e hambúrgueres à base de proteína de trigo ou soja, que com os temperos e aromas, enganam o paladar dos ex-carnívoros.

“As pessoas que adoram os produtos análogos à carne querem reencontrar o lado tradicional da refeição tipicamente francesa de antigamente, ou então fazer um prato mais elaborado. É um momento de lembranças e de confraternizar com a família e os amigos”, indica Steve. “Você mantém, por exemplo, a possibilidade de fazer um churrasco de domingo, só que usando ‘vegalinguiça’ e outras carnes veganas. O objetivo é não nos isolarmos.”

Maus tratos aos animais impulsiona novos veganos

Myrian está cada vez mais incomodada com as práticas pouco respeitosas nas criações de animais e abatedouros, além de suspeitar do processo industrial de transformação dos alimentos. Por motivações éticas e de saúde, ela pensa em se tornar vegana, e visitava pela primeira o mercado parisiense.

“Tento encontrar alternativas à carne para poder me alimentar, porque sabemos que os animais sofrem e eu gostaria de encontrar outras opções. Já sou vegetariana, mas ainda não vegana”, diz a estudante. “Eu percebo que, infelizmente, não podemos mais confiar nos produtos que encontramos nos supermercados comuns. Comprar aqui tem um custo, mas a saúde não tem preço.”

O mercado também oferece uma série de substitutos para os produtos animais, como uma mistura que se parece com o ovo e pode ser usada para fazer bolos, ou uma gelatina sem gordura animal, a ser adotada na preparação de sobremesas.

Vegana mas fã de foie gras

A vendedora Julia era uma fã de foie gras, a tradicional especiaria francesa à base de fígado de ganso. Mas quando assistiu aos primeiros vídeos sobre a preparação do produto, acabou se interessando por outros tipos de maus-tratos aos animais e tomou a decisão radical de se tornar vegana de um dia para o outro. Ela garante: é possível se deliciar sem compactuar com o sofrimento dos animais. O paladar muda e se acostuma aos novos hábitos.

“O ‘faux gras’ é um substituto do foie gras e é uma das melhores vendas da loja. Tem o mesmo gosto, a mesma textura. É delicioso, e não maltratamos nem os patos, nem os gansos”, ressalta. “Ele é produzido à base de ingredientes 100% vegetais: uma mistura de aromas e temperos que dá um resultado muito próximo ao foie gras.”

Além da alimentação

O veganismo se amplia na gastronomia francesa: existem mais de 400 restaurantes veganos em toda o país. Até o luxuoso hotel Shangri-La, de Paris, aderiu à tendência e oferece doces sem ovos nem leite.

O movimento também se espalha além da alimentação: há lojas especializadas em vestuário e calçados sem couro, lã, penas ou acabamentos de origem animal, assim como produtos cosméticos e de higiene que só usam compostos químicos ou de origem vegetal.

 


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