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Brasil

Fim de Jogos Paralímpicos encerra ciclo de megaeventos no Brasil

media Países agradecem ao Rio pelos Jogos Olímpicos de 2016 REUTERS/Pawel

Quando a chama dos Jogos Paralímpicos for apagada neste domingo (18) no Maracanã, terminará oficialmente o ciclo de megaeventos organizados no Brasil, país que agora vive o enorme desafio de sair da crise.

A lista dos super eventos internacionais organizados pelo Brasil é longa: Copa das Confederações e a Copa do Mundo de Futebol, a Cúpula da ONU sobre o Meio Ambiente Rio+20, a Jornada Mundial da Juventude com o papa Francisco, além dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

Mesmo se o contexto político foi complicado e os eventos foram organizados com problemas, atrasos e rejeição popular, o Brasil encarou todos os desafios com sucesso, reunindo muitas pessoas e transcorrendo sem incidentes graves.

Brasil: de potência do futuro a país em crise 

Nos anos que abrangem esse ciclo, que começou em 2007, quando foi escolhido país-sede da Copa do Mundo, o Brasil passou de promissora potência emergente para um país em recessão, que vive uma traumática transição política. Dilma Rousseff foi destituída pelo Senado em um processo que a agora ex-presidente denuncia como "golpe de Estado", e Lula é acusado de corrupção.

O legado da Copa e das Olimpíadas divide muitos brasileiros, entre o alto risco de ver os investimentos milionários em obras esportivas virarem elefantes brancos e as obras de infraestrutura realizadas para transformar algumas cidades, principalmente o Rio. Segurança e desemprego são outros temas que continuarão sendo discutidos quando a chama paralímpica for apagada.

Durante os Jogos, o enviado especial da RFI Brasil, Elcio Ramalho, também constatou a divisão da população do Rio em relação ao próprio evento: "Para muitos cariocas, o evento acentuou os congestionamentos no trânsito, custará caro à cidade, além de trazer benefícios limitados e apenas para uma parcela da população. Muitos ainda acreditam que vão passar vergonha por causa de situações embaraçosas, como as críticas sobre os prédios com vazamento e mal-acabados da Vila dos Atletas, por exemplo. Por outro lado, tem gente que se mostra mais otimista nos últimos dias, com a chegada de turistas e o início das competições. Acham as reclamações exageradas e confiam no sucesso de um evento que desperta paixões e desconfiança",escreveu o jornalista.

Copa deixou "elefantes brancos" como legado

A Copa do Mundo de futebol foi realizada em 12 cidades, algumas sem tradição de futebol, como Brasília, Manaus, Natal e Cuiabá, motivo pelo qual vários dos estádios construídos se transformaram em elefantes brancos. Não têm equipes da primeira divisão e lotá-los é quase impossível, o que gera perdas pelo alto custo de operação. O montante de R$ 8 bilhões investido nos estádios foi um dos principais motivos que levaram milhares de pessoas às ruas para protestar por maiores investimentos em transporte, saúde e educação. No total, a Copa do Mundo custou R$ 25,5 bilhões aos cofres públicos e foi a edição mais cara da história.

Já os Jogos Olímpicos custaram R$ 38 bilhões, menos do que Londres-2012 e Pequim-2008. Os organizadores ainda comemoram o fato de 57% do orçamento desse evento esportivo ter vindo do setor privado.

As autoridades repetem ainda, vez ou outra, que o legado dos Jogos não vai virar um elefante branco. O jornalista Elcio Ramalho lembra que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, apresentaram um plano conjunto de utilização e manutenção das instalações esportivas pós-Olimpíadas e Paralimpíadas: "Eles detalharam uma projeção para o futuro dos dois principais Parques Olímpicos, o da Barra e o de Deodoro, que deverão integrar a Rede Nacional de Treinamento criada pelo Ministério dos Esportes para promover a prática desportiva e investir em atletas de alto rendimento. No Parque de Deodoro, os ministérios da Defesa e da Educação devem desenvolver programas e garantir a manutenção que irá custar R$ 46 milhões por ano aos cofres públicos. No caso do Parque da Barra, uma parceria público-privada, a prefeitura do Rio ainda precisa encontrar parceiros interessados em investir no local. A prefeitura vai gastar R$ 13 milhões por ano para manter a estrutura, um montante considerado pequeno pelo município, se comparado com os benefícios, segundo Eduardo Paes. Ele diz que não haverá elefantes brancos e que os brasileiros deverão ter orgulho do legado social dos Jogos. Mas reconheceu que a promessa não cumprida de despoluir a Baía da Guanabara é o ponto negativo da Rio 2016", finaliza Ramalho.

Famílias pobres removidas para os megaeventos

Os Jogos eram outra chance para transformar a cidade, que continua com altos índices de violência e inquietam os cariocas. Foi feita uma ampliação e modernização do sistema de transporte público (de 18% anteriormente, 63% passarão a usá-lo), construíram-se novas avenidas e viadutos, mais moradias sociais e escolas, assim como foram renovados os espaços públicos como, por exemplo, a Praça Mauá.

Organizações críticas, como o Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, garantem que os megaeventos serviram para que fosse feita uma "limpeza social" na cidade. Entre 2009 e 2015, 22.059 famílias foram removidas, muitas delas de áreas próximas às vias e instalações olímpicas.

Com o fim das obras olímpicas, cerca de 30.000 trabalhadores também passaram a engrossar as fileiras de desempregados. As projeções indicam que a crise econômica está diminuindo e que os efeitos devastadores que muitos previam podem ser menores. Se o Brasil ganhou ou perdeu com os megaeventos, apenas o tempo dirá.

(Informações da AFP e RFI)

 

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