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Brasil

Tratamento inovador brasileiro devolve mobilidade aos paraplégicos

media O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Miguel Nicolelis/Divulgação

Pacientes paraplégicos com antigas lesões na medula espinhal apresentaram melhoras sem precedentes na mobilidade e nas sensações dos membros inferiores com um treinamento em realidade virtual e o uso de robótica controlada pelo cérebro, informou nesta quinta-feira (11) uma equipe de pesquisadores liderada pelo brasileiro Miguel Nicolelis, considerado pela revista Scientific American como um dos 20 cientistas mais influentes do mundo.

Seis homens e duas mulheres que perderam completamente o uso dos membros inferiores registraram progressos significativos, relataram os pesquisadores em artigo publicado na revista Scientific Reports. Em quatro casos, os médicos foram capazes de melhorar a condição dos pacientes para "paralisia parcial", um nível inédito de melhoria através de técnicas não-invasivas. Alguns pacientes conseguiram até mesmo reiniciar a vida sexual graças a esse tratamento de reeducação cerebral e física, desenvolvido no Brasil.

Mudanças dramáticas

Um dos pacientes - uma mulher de 32 anos, paraplégica há mais de uma década -, vivenciou a transformação mais dramática durante o tratamento capitaneado pela equipe de cientistas liderada por Miguel Nicolelis. No início dos testes, realizados em uma clínica de São Paulo, ela era incapaz de permanecer de pé mesmo com a ajuda de suportes. Treze meses depois, a paciente conseguiu andar com a ajuda desses suportes e passou a realizar o movimento a partir de um suporte.

"Nós não poderíamos ter previsto este resultado clínico surpreendente quando o projeto começou", explicou o paulista Miguel Nicolelis, neurocientista da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, e o principal arquiteto da pesquisa de reabilitação motora. "Até agora, ninguém viu a recuperação dessas funções em um paciente tantos anos depois dele ter sido diagnosticado com paralisia completa", afirmou.

Uma das mulheres que testaram a nova tecnologia de reabilitação recuperou com tanto sucesso as sensações internas e externas "que decidiu ter um bebê", contou Nicolelis. "Ela conseguia sentir as contrações", afirmou o neurocientista brasileiro. A terapia inovadora combinou diversas técnicas para estimular partes do cérebro que antes da paralisia controlavam os membros dos pacientes, inativas há muito tempo.

Reabilitação em 3D

Inicialmente, quando os pacientes foram convidados a se imaginar caminhando enquanto estavam imersos em um mundo digital 3D, partes do cérebro associadas ao controle motor das pernas não conseguiam funcionar. "Se você falasse 'use suas mãos' havia atividade cerebral", explicou Nicolelis. "Mas o cérebro apagava quase completamente a representação de seus membros inferiores". Depois de meses de treinamento, partes do cérebro há muito tempo adormecidas começaram a despertar.

"O cérebro do paciente cria a sensação de que ele está andando sozinho, não com a ajuda de aparelhos", uma espécie de ilusão, explicou Nicolelis. Sua teoria - que ainda não foi provada, apesar dos benefícios comprovados - é que este processo estimula alterações não apenas no cérebro, mas também na medula espinhal danificada. Os resultados obtidos parecem confirmar isso.

Com os oito pacientes atualmente em seu segundo ano de treinamento, Nicolelis prepara um estudo de acompanhamento buscando mudanças em sua qualidade de vida. "Também comprovamos uma melhoria no desempenho sexual para os homens", acrescentou, ressaltando que alguns deles recuperaram "a possibilidade de ter relações sexuais e ereções”, finalizou o cientista brasileiro.

Os testes foram feitos no âmbito do projeto Andar de Novo (Walk Again Project), que contou com a colaboração de 100 cientistas de 25 países. O grupo de pesquisadores realizou a primeira demonstração pública de seus trabalhos na partida inaugural da Copa do Mundo de 2014, na Arena Corinthians, quando um jovem paraplégico de 29 anos, Juliano Pinto, usando um exoesqueleto, deu o pontapé inicial na competição.

 

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