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Brasileiro cria bicicleta de bambu que vira peça de museu na Dinamarca

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Brasileiro cria bicicleta de bambu que vira peça de museu na Dinamarca
 
O brasileiro Flávio Deslandes, inventor de bicicleta de bambu "Bamboo Comfort". Divulgação.

Em um dos países onde mais se pedala no mundo, a Dinamarca, um brasileiro está chamando a atenção para uma bicicleta que inova por causa do material de que é feita: bambu. O Museu de Design da Dinamarca, que é o maior do tipo da Escandinávia, acabou de incluir em sua coleção permanente uma bicicleta feita com bambu importado do Brasil que foi criada e fabricada pelo carioca Flávio Deslandes.

Margareth Marmori, correspondente da RFI em Copenhague

A bicicleta, chamada de Bamboo Comfort, foi escolhida por ter design inovador e usar uma matéria-prima renovável, ao contrário dos metais utilizados nos modelos convencionais. A inclusão da Bamboo Comfort no acervo do museu é um reconhecimento do trabalho que Flávio começou há quase 20 anos, quando ainda morava no Brasil e estudava Desenho Industrial na Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Na cidade carioca, ele participou de um projeto de pesquisa que procurou explorar as vantagens do bambu na produção industrial. Na Dinamarca, onde vive há 15 anos, Flávio se beneficiou do apoio do estado a pesquisas em design industrial para continuar seu projeto.

“Aqui na Dinamarca geralmente a gente tem acesso às tecnologias de ponta. No Brasil, acredito que seja um pouco mais difícil. A Dinamarca investe muito em pesquisa. Tem oficinas que são financiadas pelo Ministério da Cultura e você tem um acesso mais fácil a essas novas tecnologias em relação ao Brasil”, reconhece o designer.

País favorável ao ciclismo

Flávio também encontrou na Dinamarca um ambiente extremamente favorável ao ciclismo. A capital, Copenhague, onde ele mora, é considerada a melhor cidade do mundo para se pedalar e o ciclismo é um dos principais meios de transporte da população. Mas há muitos dinamarqueses que se assustam com os modelos de bambu desenhados e fabricados por Flávio.

“Eles sempre ficam surpresos porque eles pensam no bambu apenas como uma planta de decoração que eles têm no canto da casa. Primeiro eles perguntam se é forte o suficiente, mas depois que eles me veem andando na bicicleta eles mudam a pergunta querendo saber se ela vai durar ou se vai quebrar depois de alguns anos. Uma coisa interessante com a bicicleta é que o bambu é biodegradável e isso confunde um pouco as pessoas porque todos os produtos que usamos no dia a dia são feitos para durar muito”, relata o brasileiro.

Na opinião de Flávio, talvez seja hora de as pessoas passarem a adotar a ideia de produtos biodegradáveis e abandonar a ideia de que eles devam durar muitos anos.

“Eu acho que todo produto tem sua vida. Passamos um tempo desenvolvendo um produto e pensando nesse produto para durar a vida toda só que depois de um tempo, depois de 10 anos, 20 anos, na verdade, você não quer mais que aquele produto exista e então ele vira um lixo. Você não sabe mais o que fazer com aquele produto. Então, se você tem uma bicicleta de bambu, por exemplo, que você possa pensar que ela vai durar 10 anos ou 20 anos e depois desse tempo ela vai se degradar e voltar para a terra, você não vai ter que lidar com o lixo, o que eu acho que é uma ideia bem interessante”, disse.

A bicicleta "Bamboo Comfort", criada por Flávio Deslandes, que virou peça do Museu de Desing da Dinamarca. Divulgação

Produção industrial não é simples

Usar o bambu na produção industrial em larga escala não é uma tarefa simples. Mas Flávio acredita que novas tecnologias contribuirão para que esses obstáculos sejam superados em alguns anos.

“O grande desafio do bambu é a produção industrial em larga escala porque até hoje as técnicas que a gente utiliza são muito artesanais, são complicadas, demandam uma atenção muito grande. O que está acontecendo hoje, por exemplo, é a impressora 3D, que é uma tecnologia nova que está crescendo muito rápido e que talvez seria uma forma interessante de ser utilizada com o bambu. Talvez no futuro a gente possa imprimir, utilizar essa impressora 3D para fazer as ligações entres os bambus, por exemplo”, prevê Flávio.

Um dos problemas para a produção em larga escala com bambu está nas juntas que unem os canos que formam o quadro e o ligam às demais partes da bicicleta. As peças de metal que são usadas para unir os tubos usados nas bicicletas convencionais podem ser todas iguais porque os tubos convencionais são todos iguais. Mas os tubos de bambu são muito variados. A impressão em 3D poderá facilitar a fabricação de peças sob medida, adaptadas aos diversos tamanhos dos tubos de bambus.


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