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Refugiados muçulmanos são discriminados no Brasil

Refugiados muçulmanos são discriminados no Brasil
 
Paulo Farah, diretor da BibliASPA, comenta a situação dos refugiados que a entidade ajuda em São Paulo BibliASPA

A crise migratória é um tema constante na Europa. Mas nem todos os migrantes escolhem o velho continente como destino e alguns terminam sua viagem no Brasil. RFI Convida Paulo Farah, diretor da BibliASPA, uma entidade que ajuda na integração desses grupos em São Paulo. Ele conta que além da barreira linguística, as diferenças culturais podem ser um obstáculo.

Segundo as estatísticas oficiais, mais de 8 mil refugiados vivem no Brasil em 2016 e estão principalmente em São Paulo. “Eles vêm principalmente da Síria (cerca de 2.300 pessoas), Angola (1.400), Colômbia (1.100), Congo e Palestina. Nos últimos cinco anos, o número de solicitações de refúgio aumentou mais de 2.800 %”, afirma o professor da Universidade de São Paulo (USP) e diretor da BibliASPA (Biblioteca e centro de pesquisa América do Sul países árabes e África), Paulo Farah.

A instituição, baseada em São Paulo, oferece cursos de português para os refugiados, mas também uma série de programas para facilitar a integração desses grupos, além de produzir pesquisas acadêmicas sobre o tema. “Um refugiado conseguir se integrar em um país como o Brasil sem falar a língua portuguesa é praticamente impossível”, comenta o professor. “Mas também ensinamos a cultura brasileira, para que eles possam entender como funcionam os serviços públicos, os transportes, as atividades culturais e a educação no país”, continua Farah, lembrando que todas essas atividades são realizadas por voluntários, de diferentes áreas, que trabalham na organização.

Sírios têm tratamento diferenciado

Os migrantes sírios, mais numerosos, recebem um tratamento diferenciado, lembra Farah, graças a uma resolução do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), datando de setembro de 2013, que autoriza missões diplomáticas brasileiras a emitir uma autorização especial de permanência para pessoas afetadas pelo conflito na Síria. “Essa concessão de visto humanitário tem ajudado bastante a vinda deles”, explica Farah.

No entanto, como ressalta o professor, essa população é muitas vezes alvo de intolerância religiosa. “Vários refugiados, tanto do Oriente Médio quando da África, que são muçulmanos, são vítimas de discriminação direta. Uma série de pessoas têm sido detidas de forma arbitrária”, denuncia o diretor da BibliASPA. Para mudar esse quadro, a associação também promove vários cursos ministrados pelos refugiados, que servem para gerar renda para eles próprios e promover a conscientização da sociedade brasileira.

Ouça a entrevista completa.

 


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