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Brasil

"Rio revela face olímpica na dor", escreve Le Parisien

media O jornal Le Parisien ilustra reportagem sobre a Rio 2016 com esta imagem de agentes retirando lixo da Baía da Guanabara no dia 20 de julho de 2016. REUTERS/Ricardo Moraes

Um parto na dor. Assim, o jornal Le Parisien descreve neste sábado (30) a reta final das obras de acabamento das instalações olímpicas no Rio de Janeiro, a seis dias da abertura dos Jogos de 2016.

"Como se temia, a cidade maravilhosa não cumpriu suas promessas" e enfrenta uma série de problemas não solucionados às vésperas do início da competição, constata o jornal francês. Obras continuam inacabadas, como é o caso do velódromo, nota o Le Parisien. A inauguração da linha 4 do metrô, que já custou € 2,5 bilhões e ligará a Zona Sul à Barra da Tijuca, teve novos atrasos. E, talvez, o ponto mais crítico apontado pelo jornal: a baía da Guanabara, onde vão acontecer as provas livres de natação, vela e windsurf continua poluída. "Os atletas são aconselhados a nadar e navegar de boca fechada, para evitar contrair doenças", adverte a reportagem.

O Brasil teve sete anos para preparar as Olimpíadas, lembra o Parisien. Apesar de o custo inicial das obras ter mais do que dobrado (51%), em relação ao primeiro orçamento aprovado, o que espanta os observadores é o péssimo estado de acabamento.

Um estudo publicado neste mês pela Said Business School demonstra que o total de gastos no Rio atingiu US$ 4,5 bilhões, um montante que não leva em conta obras de infraestrutura (transportes, rodovias e aeroportos). Na média de seis Olimpíadas pesquisadas, os gastos no Rio são inferiores aos de Londres em 2012 (193,4% de custo adicional) e Montreal em 1976 (720% de custo adicional). Pelo menos no que diz respeito aos gastos globais, o Rio não foi tão prejudicado, sugere o estudo.   

Segurança impõe desafios diferentes da Copa

A segurança dos locais de competição é outra preocupação citada pelo Le Parisien. Depois da prisão de supostos simpatizantes da organização terrorista Estado Islâmico, "o Brasil está em estado de alerta".

O subsecretário de Grandes Eventos da prefeitura do Rio, Roberto Alzir, reconhece que garantir a segurança das provas olímpicas, muitas vezes realizadas em espaços abertos, é mais complicado do que foi proteger os estádios da Copa do Mundo de 2014. Porém, "nós trabalhamos em cooperação com agências de inteligência do mundo inteiro e o centro de luta antiterrorista, que não tivemos no Mundial, está em funcionamento", declarou a autoridade. Resta esperar que os 85 mil policiais e militares que farão a segurança dos aeroportos, do público e dos atletas atendam às expectativas.

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